Pessimismo aumenta entre os argentinos

O pessimismo sobre as perspectivas econômicas do país está crescendo de forma acelerada entre os argentinos. Segundo o Índice Geral de Expectativas (IGEE), elaborado pela Universidade Católica Argentina (UCA), as expectativas da população caíram pelo sétimo mês seguido.

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h10

O cenário é significativamente diferente da época da posse do segundo mandato da presidente Cristina Kirchner, em dezembro passado, quando 38% dos entrevistados acreditavam que a situação era muito boa. Outros 42% achavam que não era boa nem má, enquanto somente 17% consideravam que o panorama econômico era ruim. Mas em maio, segundo a UCA, a proporção de pessoas que acreditam que a situação é ruim duplicou, passando a 34%.

Os otimistas encolheram para 24%, enquanto aqueles que fazem uma avaliação regular das expectativas ficaram em 40%.

O pessimismo tornou-se evidente nas últimas semanas em Buenos Aires, com os panelaços que reuniram milhares de pessoas, pela primeira vez desde 2008, para protestar contra a política econômica. As manifestações, convocadas pelas redes sociais, sem participação dos partidos da oposição, estão ocorrendo todas as quintas-feiras, há três semanas.

A presidente Cristina Kirchner, que até pouco tempo orgulhava-se da "blindagem" da Argentina perante a crise mundial, admitiu, pela primeira vez, que o cenário apresenta dificuldades.

A confissão foi feita a um grupo seleto de empresários no Conselho das Américas, em Nova York, antes de viajar para a reunião do G-20 no México. "Com certeza não cresceremos com os índices que estávamos tendo", disse. No entanto, afirmou que tomará "todas as medidas necessárias para continuar sustentando o crescimento".

O secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, o homem forte da área econômica, também admitiu pela primeira vez a existência de problemas. Mais especificamente, com a inflação, tal como confessou em um congresso com empresários kirchneristas: "a inflação está alta. Mas, ela vai baixar!"

No entanto, o poderoso secretário, responsável pelas barreiras aplicadas às importações, disse que teme uma eventual deflação no futuro. Moreno acusou a oligarquia de ser a responsável pelo alto preço dos alimentos.

O ritmo do crescimento dos investimentos caiu 21% entre março de 2011 e de 2012, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) - suspeito de maquiar os índices de forma favorável ao governo Kirchner. O Indec informa que a economia está desacelerando rapidamente. Em abril praticamente ficou estagnada.

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