Pessimismo do consumidor cresce em SP

Pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) apontou que o consumidor da Região Metropolitana está mais pessimista com a situação econômica do Brasil. De acordo com a entidade, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) apresentou queda de 3,7% em abril sobre março, registrando 133 pontos em uma escala que vai de 0 a 200. Na comparação com igual período de 2005, quando o ICC atingiu 142 pontos, houve retração ainda mais expressiva, de 6,3%. De acordo com a Fecomercio-SP, o resultado foi influenciado pela variação negativa do Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que ficou em 135,2 pontos (o que representou queda de 5,4% ante o mês anterior), e pela queda do Índice de Condições Econômicas Atuais (ICEA), que apresentou redução de 0,8%, em relação a março, com 129,8 pontos. O IEC indica a percepção do consumidor em relação ao futuro, enquanto o ICEA mede o grau de otimismo dele em relação ao presente. Resultado menor A entidade paulista destacou que os consumidores com renda inferior a 10 salários mínimos se mostraram menos confiantes em relação à situação do Brasil no médio e longo prazos, com baixas de 9% e de 13%, respectivamente. Segundo os técnicos da Fecomercio-SP, esse foi um dos fatores que contribuíram para a retração no IEC, que também foi influenciado pelo maior pessimismo quanto ao campo "Situação de sua Família" para 12 meses (queda de 3,7%). Já a redução de 0,8% no ICEA, segundo a entidade, foi conseqüência da baixa confiança do consumidor com rendimentos inferiores a 10 salários mínimos no que diz respeito também ao campo que avalia a situação familiar. Na avaliação da Fecomercio-SP, isso ocorre em virtude do alto nível de endividamento do consumidor, o que compromete a renda e o impede de assumir novas dívidas. De acordo com o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman, a pesquisa demonstra o cenário atual da limitada capacidade de compra do consumidor. "A retração do ICC deixa claro que a tímida expansão da renda tem reduzido o poder de compra do brasileiro, que já se encontra altamente endividado", disse, em nota à imprensa. Para Szajman, se a percepção do consumidor não se alterar nos próximos meses, é provável que o ICC apresente uma trajetória de queda mais acentuada do período atual em diante.

Agencia Estado,

18 Abril 2006 | 14h47

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