Pessimismo em Wall Street derruba Bovespa, que cai 2%

Deterioração da economia dos EUA arrasta bolsas; mercado brasileiro acumula queda de 7,58% no mês

Claudia Violante, da Agência Estado,

18 de junho de 2008 | 17h30

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou o dia todo com o sinal negativo, empurrada pela deterioração das condições da economia norte-americana. Balanços fracos, anúncio de corte nos dividendos e também o alerta de que o mercado de ações pode passar em breve por um crash fizeram Wall Street ceder. No final do dia, o petróleo, que vinha caindo, acabou virando e fechou com alta firme, reforçando as preocupações com a inflação pelo mundo e com a estagflação nos EUA.   Veja também: Apesar de mau humor externo, dólar fecha em leve baixa Lucro do banco Morgan Stanley cai 60% no trimestre FedEx tem prejuízo trimestral de US$ 241 mi Entenda os efeitos da crise nos Estados Unidos  Cronologia da crise financeira    A Bovespa encerrou o pregão com queda de 1,97%, aos 67.090,4 pontos, o menor patamar desde o dia 11 (66.794,8 pontos). O índice oscilou entre a mínima de 66.917,4 pontos (-2,22%) e a máxima de 68.431 pontos (-0,01%). O resultado desta quarta ampliou as perdas de junho a - 7,58%. No ano, a Bolsa ainda tem ganho, de 5,02%. O volume financeiro totalizou R$ 9,285 bilhões (preliminar), inflado pelo vencimento de opções sobre Ibovespa e pelas operações dos investidores para o exercício do Ibovespa futuro.   Uma hora antes do fechamento, as ações da Vale recuperaram-se na esteira do vencimento e permitiram ao índice devolver uma parte das perdas. Mas boa parte dos ganhos de Vale PNA foi devolvida, ampliando as perdas do Ibovespa. As notícias ruins provenientes dos Estados Unidos são as responsáveis pelo desempenho desta quarta-feira.   O Dow Jones fechou em baixa de 1,08%, aos 12.029,1 pontos. Mais cedo, o índice industrial caiu abaixo dos 12 mil pontos, atingindo a mínima desde 17 de março. O resultado decepcionante da companhia de entregas FedEx e novas notícias ruins no setor bancário pressionam as bolsas. Além disso, o petróleo para julho virou e encerrou o dia com alta de 1,99%, em US$ 136,68 na New York Mercantile Exchange (Nymex) devido às ameaças de greve no setor petrolífero na Nigéria. O S&P recuou 0,97% e o Nasdaq, 1,14%.   A FedEx, empresa considerada um termômetro da economia, anunciou prejuízo no quarto trimestre fiscal, além de reduzir mais a projeção de resultados para o ano fiscal, para um número novamente menor do que o estimado pelos analistas, sinal de que continua a sofrer os efeitos do enfraquecimento da economia e da alta dos combustíveis.   No segmento financeiro, entre outros destaques, o banco Fifth Third anunciou corte de dividendos, mas foi o alerta feito pelo estrategista do Royal Bank of Scotland (RBS), Bob Janjuah, que colocou mais lenha no fogo dos temores. Este analista, o mesmo que previu a crise de crédito no ano passado, chamou a atenção dos clientes para um "crash" nos mercados globais de ações e de crédito nos próximos três meses.   Para a Bovespa, a alta do petróleo não mudou a tendência de queda da Petrobras. As ações ON recuaram 1,29% e as PN, 1,84%, por conta da venda por estrangeiros e da oscilação em torno do vencimento. Vale PNA conseguiu fechar no azul: +0,82%, enquanto Vale PN recuou 0,53%.   Apesar desta quarta ser um dia atípico na Bovespa, por causa do vencimento, a queda pode continuar nos próximos dias, com alguns intervalos para recuperação a preços atrativos. Isso porque o JPMorgan rebaixou o Brasil a underweight e o Merrill Lynch divulgou uma pesquisa revelando que o entusiasmo dos gerentes de fundos globais por ações dos mercados emergentes diminuiu em junho. Para eles, estes títulos estão sobrevalorizados.   Até a próxima semana, quando o Fomc decide sobre a taxa de juros nos EUA, poucos índices relevantes serão conhecidos por lá. Isso deixa para o noticiário o papel do vilão - ou do mocinho - a conduzir as bolsas nos próximos dias. Nesta quinta, no entanto, sairão os indicadores antecedentes, bastante observados pelos investidores.

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