Pessimismo maior na pequena e média indústria

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), pesquisado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), chegou neste mês ao nível mais baixo em 15 anos e na série histórica: 45,8 pontos. Sendo inferior a 50 pontos, o indicador está no patamar negativo. É a sétima vez consecutiva que o Icei fica abaixo de 50 pontos, mostrando que os leves sinais de melhora da produção industrial em agosto não alteraram o grau de descrença dos industriais.

O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2014 | 02h03

Todos os indicadores da pesquisa feita com 2.622 indústrias mostraram piora de setembro para outubro. Mas a desconfiança foi ainda maior nas médias empresas (44,3 pontos) e nas pequenas (45,9 pontos) do que nas grandes companhias (46,5 pontos). É um aspecto até certo ponto compreensível: as companhias menos capitalizadas e que mais necessitam se endividar nos bancos tendem a ser mais pessimistas. Afinal, uma das máximas bancárias reza que o crédito mais fácil - e mais barato - é oferecido a quem menos precisa dele.

O pessimismo também é maior na indústria de transformação (45,1 pontos) do que na construção (46,5 pontos) e extrativa (48,1 pontos).

A comparação com os dados de outubro do ano passado também é bastante negativa, com queda de 7,8 pontos na indústria de transformação, 6,1 pontos na extrativa e 8,5 pontos na construção. Confirmam-se, assim, outros indicadores da construção civil, um dos setores que mais contribuíram para o emprego, a renda e a produção nos últimos anos - e que preservava o otimismo mesmo quando a economia já começava a fraquejar.

Essa situação mudou substancialmente nos últimos 12 meses. Saiu-se de um quadro de predomínio do otimismo, ainda presente em outubro de 2013, quando o Icei atingiu 53,8 pontos, para o do pessimismo. Como notou o economista Marcelo Azevedo, da CNI, "os dados da indústria são hoje muito fracos, isso contamina a avaliação dos negócios e você projeta isso para a frente".

A situação também piorou quando comparado o período julho/setembro - quando o Icei registrou certa estabilidade, embora em nível negativo - com este mês, em que a percepção dos problemas cresceu.

Está claro que medidas conjunturais de desoneração da indústria não bastam. Para elevar a competitividade e a produtividade é preciso reduzir o custo Brasil, reformar a legislação tributária e recuperar a infraestrutura. E, acima de tudo, retomar o crescimento sustentável.

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