Pessimismo toma conta dos mercados

O clima nos mercados financeiros é de tensão, a gravidade dos ataques aos EUA não tem precedentes e não se conhece a natureza ou mesmo o alvo da ação retaliatória norte-americana. Assim, é difícil fazer qualquer tipo de previsão e as oscilações nas cotações no mundo inteiro devem aumentar. Ontem, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em discurso no Congresso, afirmou que seu país usará "todos os recursos, todos os meios diplomáticos, todas as ferramentas legais e de inteligência, toda a a influência financeira e todas as armas de guerra que forem necessárias para desbaratar e derrotar a rede global do terror".Nos mercados financeiros, os analistas esperam por quedas fortes e seguidas nas bolsas no mundo inteiro e dólar disparando no Brasil. Os investidores devem reagir a cada novidade no noticiário internacional e já é consenso que quanto mais longa e cara a guerra, e quanto mais próxima de centros estratégicos - como os países produtores de petróleo ou o arsenal nuclear do Paquistão -, maior será o pessimismo.Os custos dos ataques do dia 11 de setembro foi altíssimo: queda das torres do World Trade Center, perda dos quatro aviões, suspensão dos vôos e paralisação dos mercados financeiros e de todas as atividades na porção sul de Manhattan por quase uma semana. Mas os prejuízos continuam para empresas aéreas e do setor de turismo, seguradoras e para setores muito ligados ao desempenho da economia, que já estava em desaceleração e agora entra, quase certamente, em recessão.Nesta madrugada, segundo apurou o repórter Ricardo Gozzi, o Congresso dos Estados Unidos e a Casa Branca anunciaram um plano de US$ 15 bilhões para ajudar as companhias e indústrias aéreas americanas. A agência Associated Press informou que a Casa Branca deve aprovar o pacote até o fim de sexta-feira e o Senado deve encaminhar a medida rapidamente.Ontem o presidente do Fed - banco central norte-americano -, Alan Greenspan, divulgou dados indicando forte contenção do consumo na semana passada, mas provavelmente porque as pessoas preferiram ficar assistindo televisão do que ir às compras. Por isso, ainda é muito cedo para ter uma idéia mais precisa da tendência recessiva na economia, mesmo que ela seja quase certa. Mas, em seu discurso, também deixou margem para um novo corte nos juros, para estimular crédito e investimento, na próxima reunião do Fed, dia 2 de outubro.Para países emergentes, como Turquia, Argentina e Brasil, a situação complica-se. Os três têm grande dependência de capitais estrangeiros para cobrir os rombos das contas externas, mas a guerra foi um fator-surpresa que pode reduzir muito rapidamente os fluxos de investimentos. Nesse caso, as moedas locais devem perder valor em relação ao dólar e podem ser necessários ajustes dolorosos. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

21 de setembro de 2001 | 08h22

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