Pessimista, mercado prevê recessão mais forte em 2015 e 2016

Analistas pioraram projeção para o PIB deste ano para queda de 2,26% e de 2016, para -0,4%; para a inflação, Relatório Focus elevou a estimativa do ano que vem para alta de 5,51%

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2015 | 09h01

BRASÍLIA - Após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre, que caiu 1,9% na comparação com o primeiro e 2,6% ante o mesmo período de 2014, analistas consultados para o Relatório de Mercado Focus aprofundaram as previsões de recessão da economia. De acordo com o documento divulgado pelo Banco Central, o PIB terá queda de 2,26% em 2015 e de 0,40% em 2016, de acordo com a mediana das estimativas. 

Há duas semanas, os participantes da Focus previram pela primeira vez queda para o PIB do ano que vem. Na semana passada, a previsão de retração era de 0,24%. Para este ano, a deterioração das previsões do mercado financeiro para a atividade no País é tendência já há alguns meses. Na semana passada, o boletim trazia uma previsão de recuo de 2,06%. 

O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção para este ano, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3%. Uma nova edição do documento será apresentada no fim do mês que vem.

No boletim Focus de hoje, a projeção para a produção industrial também mostrou piora significativa: saiu de uma baixa de 5,20% para um recuo de 5,57%. Já para 2016, a mediana das estimativas foi reduzida de uma alta de 1% para 0,89%. 

Inflação. Pela quarta semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação. A taxa subiu de 5,50% para 5,51%.

O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para "novos riscos" que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no RTI de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. 

No caso da inflação de 2015, a estimativa havia se estabilizado na semana passada após 17 rodadas seguidas de elevação. Hoje, houve a segunda queda das previsões. A mediana para esse indicador passou de 9,29% para 9,28%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado. Na última ata do Copom, porém, o BC informou que suas projeções para 2015 também subiram mais. 

As estimativas para os preços administrados ou monitorados pelo governo deste ano voltaram a subir. A mediana para esse conjunto de itens em 2015 passou de 15,15% na semana passada para 15,20% agora. Para 2016, a expectativa no boletim Focus apresentada hoje ficou inalterada em 5,92% pela segunda semana. 

Para a inflação de curto prazo, houve mudanças para baixo. A projeção para o IPCA deste mês caiu de 0,26% para 0,25%. No caso de setembro, a taxa esperada passou de 0,38% para 0,37%.

JuroNa semana de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o rumo dos juros, atualmente em 14,25% ao ano, as previsões do mercado financeiro para a Selic permaneceram praticamente estáveis. Para este ano, as expectativas ficaram congeladas em 14,25% ao ano pela quinta semana seguida. Também por esse mesmo número de semanas está a previsão de que o colegiado não mexerá na taxa na reunião da próxima quarta-feira. Para 2016, o documento divulgado há pouco pelo Banco Central, trouxe estabilidade da mediana das previsões em 12% ao ano. 

Dólar. Com alta próxima a 35% neste ano, as projeções para o dólar apresentaram poucas variações no Relatório de Mercado Focus. Para 2015, segundo o documento atualizado esta manhã pelo Banco Central, a mediana das estimativas continuou em R$ 3,50. Para o próximo ano, a mediana para o câmbio ao final do período, que tinha subido de forma significativa há duas semanas, ficou congelada em R$ 3,60 pela segunda vez seguida. 

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