Suamy Beydoun/Agif
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Investimento em empresas estrangeiras deve ser facilitado até o fim do ano

Em evento para investidores em São Paulo, presidente da Bolsa de São Paulo e gestores de fundos falaram sobre tendências de investimentos e o cenário econômico do país

Talita Nascimento e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 15h13

O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, disse em evento para investidores nesta terça-feira, 17, que a empresa discute com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a retirada de restrições para que pessoas físicas invistam no que se chama de Brazilian Depositary Receipts (BDR) não patrocinado - papéis de empresas que são cotadas em Bolsas de outros países e vendidas no Brasil sem as garantias da empresa emissora. Hoje, apenas quem tem mais de R$ 1 milhão em investimento tem acesso a esse produto. Segundo Finkelsztain, essa mudança pode acontecer até o fim do ano.

Na atual regulamentação da CVM, pessoas físicas só podem investir em BDRs do tipo patrocinado, na qual a empresa emissora das ações têm custos semelhantes ao de uma empresa de capital aberto no Brasil. Entre as despesas estão as relacionadas aos gastos para manutenção da área de relações com investidores, divulgação de eventos societários e publicação das demonstrações financeiras em órgãos de imprensa. 

No caso dos BDRs não patrocinados, o investidor adquire as ações por meio de um depositário: em geral, um banco ou fundo que gera o papel que funciona como um espelho da ação da empresa estrangeira, mas sem ter vínculo formal com a instituição. Se a mudança for de fato aprovada, será possível investir em empresas estrangeiras nas quais o comprador acredita, mesmo que ela não tenha a estrutura de BDR patrocinada no País.

"O investidor pessoa física pode comprar ações, dívidas, investir em startups e não pode comprar ações da Microsoft? Estamos subestimando esse investidor", disse Finkelsztain em sua palestra.

Além dessa mudança, a B3 também busca junto à CVM  a possibilidade de que empresas brasileiras, que optam em abrir capital no exterior, possam emitir no Brasil seus papéis em forma de BDRs. Atualmente, as regras impedem que essas companhias tenham essa opção para negociar seus papéis também localmente. O assunto veio à tona quando algumas empresas brasileiras, ligadas ao setor de tecnologia, optaram em abrir capital nos Estados Unidos e ao mesmo tempo em que a XP Investimentos negocia sua abertura de capital que ocorrerá na Bolsa de Nova York (Nyse) ou Nasdaq.

Fundos como produtos

O presidente da B3 falou ainda que além dos dois ETFs lançados este ano (um do banco Itaú e outro do Bradesco), há outros para "saírem do forno". Ele disse no final do evento que a empresa estuda listar para negociação de cotas em Bolsa fundos de investimentos passivos como os ETFs e de gestão ativa como os multimercados. "Estamos trabalhando a possibilidade de listagem de fundos como produtos financeiros dentro da B3. Algo mais para o 2º trimestre de 2020", afirmou.

Estrangeiros

Para Finkelsztain, o fluxo de estrangeiros na Bolsa brasileira deve voltar quando a economia voltar a crescer e o exterior deixar de apresentar aversão a risco em razão da guerra comercial entre Estados Unidos e China.  "Acho que o investidor estrangeiro vem acompanhando a evolução, a efetividade das reformas, está esperando as entregas, como compromisso fiscal, para aí sim entrar com investimentos mais fortes", disse.

O presidente da B3 afirmou que, apesar dessa seletividade, muitos gestores globais, que estavam nos últimos anos afastados de Brasil, começaram a observar o País com mais interesse. "Tenho clareza que se fizermos a lição de casa o investidor estrangeiro vem."

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