Ed Ferreira/Estadão
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'Pessoas se manifestam; nós temos de trabalhar', diz Nelson Barbosa

Para ministro, apesar do movimento das ruas e dos escândalos de corrupção, o Brasil ainda oferece boas oportunidades

Entrevista com

Nelson Barbosa, ministro do Planejamento

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2015 | 02h06

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, avalia que as manifestações fazem parte da democracia. Ao governo, cabe trabalhar para criar condições de crescimento. Em rápida conversa com o Estado, Barbosa avaliou que as seis propostas recebidas ontem pelo governo para a concessão da Ponte Rio-Niterói são um sinal que, apesar das manifestações e dos escândalos de corrupção, o País continua oferecendo boas oportunidades de negócio e há confiança na melhora da economia. A abertura dos envelopes está marcada para amanhã na Bovespa.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O que o sr. achou do fato de a concessão ter atraído seis propostas?

Acho que reflete a disposição dos investidores em relação ao Brasil, que continua sendo uma economia com grandes oportunidades de investimento. Reflete também a confiança dos investidores no crescimento da economia brasileira, na estabilidade.

Isso mostra que o leque de investidores é maior do que parecia antes da operação Lava Jato, quando as concessões ficavam só com as grandes construções?

Tem novos players. O mercado de construção é dinâmico e tem muitas oportunidades a serem aproveitadas. Com certeza, temos projetos atrativos e, com confiança na recuperação da economia, não vão faltar investidores.

É exagero dizer que a Lava Jato não atrapalhou?

Não quero comentar a Lava Jato, quero comentar a Ponte Rio-Niterói. A ponte é um investimento que já está em curso. Quem entra na concessão tem receita a partir do primeiro dia. Apesar disso, é uma concessão que exige grandes investimentos para melhorar o acesso. Então, isso demonstra o quão diversificado é o Brasil, que tem várias oportunidades de investimento. O mercado de construção civil tem vários agentes capazes de aproveitar as oportunidades que pretendemos colocar no mercado.

Podemos esperar interesse semelhante nos empreendimentos que serão leiloados daqui para a frente?

Foi um bom sinal para as próximas rodadas, mas cada concessão tem sua realidade. Estamos trabalhando para que as concessões sejam um processo continuo, que seja o dia a dia da economia.

Foi uma boa notícia para um dia pós-manifestações, não?

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A gente já antecipava que o leilão teria muitos interessados, e que vai ter disputa. A democracia é isso: as pessoas exercem seu direito de opinião, e a gente continua fazendo o nosso trabalho. Trabalhamos no dia a dia para construir condições para o crescimento. O fato de ter manifestações não quer dizer que iniciativas de investimento estão paradas. As coisas estão acontecendo no seu tempo, e vão continuar acontecendo.

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