Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Pestana vai comandar a Máquina de Vendas

Executivo vai reestruturar varejista, que tem problemas de integração e busca sócio

Márcia De Chiara e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2015 | 02h04

O ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar, Enéas Pestana, vai assumir na segunda-feira o comando da Máquina de Vendas, terceira maior varejista de móveis e eletroeletrônicos do País. Nos últimos dois meses, como consultor, Pestana traçou um plano de reestruturação para a companhia, com o objetivo de tornar a rede lucrativa. Fontes de mercado afirmam que a ida dele para o dia a dia da empresa é um caminho que se abre para a Máquina de Vendas finalmente encontrar um sócio de peso para capitalizar a empresa.

Dona de um faturamento anual de R$ 10 bilhões, a Máquina de Vendas nasceu da união da baiana Lojas Insinuante com a mineira Ricardo Eletro. Depois ganhou musculatura ao incorporar como sócias a catarinense Lojas Salfer, a mato-grossense City Lar e a pernambucana Eletro Shopping.

Apesar da intenção de criar um megagrupo para concorrer com gigantes como Via Varejo, do Grupo Pão de Açúcar, e Magazine Luiza, a Máquina de Vendas nunca conseguiu promover o processo de integração de suas cinco companhias. "Apesar do nome Máquina de Vendas, a empresa atuava como uma 'máquina de compras'", afirma o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. A empresa, diz ele, foi criada para conseguir negociações mais favoráveis com fornecedores, tendo como contrapartida grande volume de produtos.

A falta de integração das companhias, que gerou sobreposição de cargos e atuação descoordenada das empresas, que atuavam de forma independente, é apontada como principal problema da varejista. Agora, com a nova estrutura - os cinco sócios Luiz Carlos Batista, Ricardo Nunes, Clayton Salfer, Erivelto Gasques e Richard Saunders saem da operação da empresa e passam a atuar na holding e no conselho de administração da companhia - Pestana vai buscar capturar as sinergias entre os negócios.

O atual presidente Pedro Magalhães, contratado no processo de profissionalização da gestão da companhia, vai atuar na área de governança corporativa. Mario Lahoz, da equipe de Pestana, dono da consultoria Enéas Pestana & Associados, vai ocupar interinamente a diretoria financeira da varejista.

A indústria vê com bons olhos a reestruturação do grupo, uma vez que hoje os grandes canais de venda estão concentrados em apenas dois grupos: Via Varejo e Magazine Luiza.

Futuro. O empresário Abilio Diniz é apontado como provável comprador da empresa no futuro, segundo fontes de mercado. Antes de se tornar consultor de empresas problemáticas, Pestana trabalhou durante anos no GPA e era o homem de confiança de Abilio Diniz. A sua chegada no principal posto da Máquina de Vendas é interpretada pelo mercado como um caminho para que Abilio possa atuar no setor de eletroeletrônico para concorrer com sua antiga empresa, a Via Varejo.

Desde o fim de 2013, os principais acionistas da Máquina de Vendas contrataram uma consultoria financeira para buscar um sócio para capitalizar a empresa. O Kinea, fundo de investimentos do Itaú, chegou a olhar a rede, mas o negócio não foi para frente. Os acionistas também procuraram outras redes para uma possível associação, mas não deu certo. No momento, a Máquina de Vendas prioriza sua reestruturação e não negocia a entrada de sócios, segundo fontes. Além dos problemas estruturais da companhia, pesa contra o negócio a queda de vendas enfrentada hoje pelo setor de eletroeletrônicos por conta da recessão que o País atravessa.

Procurados, Pestana, Máquina de Vendas e Península, braço de investimentos da família Diniz, não comentaram o assunto.

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