Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Petrobrás acusa executivo demitido de ter infringido norma com negociação de ação da empresa

Petrolífera diz ter tomado a decisão após descobrir que o executivo negociou ações da empresa em bolsa poucos dias antes do anúncio do lucro recorde do quarto trimestre do ano passado, o que é proibido em sua política interna

Fernanda Nunes, Denise Luna e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 21h14

RIO - Homem de confiança do presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, o gerente executivo de Recursos Humanos da empresa, Claudio Costa, foi demitido nesta segunda-feira, 29. Em nota ao mercado, a petrolífera diz ter tomado a decisão após descobrir que o executivo negociou ações da empresa em bolsa poucos dias antes do anúncio do lucro recorde do quarto trimestre do ano passado, o que é proibido em sua política interna. A estatal afirma, no entanto, que esse foi um “episódio pontual”. 

Além de deixar o comando da estatal, Costa se desligou do conselho de administração da subsidiária de Logística, a Transpetro. "Concluí minha jornada no grupo Petrobrás", afirmou ex-gerente ao Estadão/Broadcast no início da tarde. "São inverdades que estão sendo divulgadas contra mim”, acrescentou.

Durante todo o dia, a Petrobrás apenas confirmou a demissão, sem explicar o motivo. Somente à noite publicou o comunicado no qual admite que o seu gerente de RH contrariou a política que veda a negociação de ações da empresa por funcionários nos 15 dias que antecedem a divulgação do resultado financeiro. 

Rumores de que informações privilegiadas estão sendo usadas em benefício de alguns investidores surgiram, na verdade, desde que Castello Branco foi demitido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, no dia 19 do mês passado. Há acusações, por exemplo, de ganhos de R$ 18 milhões envolvendo contratos de opção de venda de ações. Possíveis irregularidades em operações de papeis da petrolífera são investigadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Sobre as acusações contra o ex-gerente de RH, a autarquia responde que "não comenta casos específicos".

Costa ingressou na empresa junto de Castello Branco, em janeiro de 2019. Em seu LinkedIn, ele se descreve como "liderança do projeto de transformação cultural da maior companhia brasileira" e diz que seu trabalho teve "foco na eficiência, meritocracia e foco em resultados". O executivo foi convidado ao cargo para implementar um novo modelo de gestão da força de trabalho e deixa a empresa antes da nova direção assumir o comando da estatal. Antes de ir para a Petrobras, ele atuou na prefeitura de São Paulo. 

Entre as medidas mais polêmicas tomadas em sua gestão está a transformação do plano de saúde - a Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) - em uma associação independente. A expectativa é de que, com a mudança, a contribuição da empresa diminua e os empregados passem a pagar mais pela assistência médica.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante de funcionários da estatal, abriu representações e processos na Justiça e em órgãos reguladores contra a mudança na AMS. Em algumas delas, cita supostos ganhos obtidos por Costa com as mudanças.

Enquanto esteve à frente do RH, o regime de remuneração da Petrobrás também foi alterado. Pagamentos extras a funcionários, em retribuição a avanços conquistados, passaram a ter foco maior nas finanças e não nas operações. As transformações atingem, principalmente, os cargos de chefia, que têm boa parte da renda formada por remunerações extras.

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