Petrobras adapta térmica a diesel para álcool em MG

A Petrobras está adaptando uma usina térmica a diesel, em Juiz de Fora (MG), para funcionar com álcool. Os testes devem durar em torno de três a quatro meses, ao custo de R$ 10 milhões. Se o resultado for positivo, a estatal poderá participar de leilões de energia nova já no próximo ano utilizando esta alternativa, disse hoje em entrevista o gerente geral de Operações de Ativos em Energia, Roberto Machado Silva, durante o Energy Summit que acontece até a próxima quinta-feira no Rio.

KELLY LIMA, Agencia Estado

11 de agosto de 2009 | 17h37

Segundo ele, a ideia não é disputar mercado com o gás natural, mas sim com o óleo diesel. Ele explicou que para gerar os 42 megawatts-hora (MWh) da usina de Juiz de Fora serão necessários 24 mil litros de álcool por hora, em vez de 16 mil litros de diesel. "É a mesma relação que usamos para comprar o álcool e a gasolina e saber se é econômico. Enquanto ele ficar a menos de 75% do preço do seu concorrente, ele é viável. Isso sem contar que ele não é importado, é menos poluente e ainda pode gerar créditos de carbono", disse.

Machado afirmou ainda que para o país ter a alternativa de utilizar o álcool para mover as turbinas de usinas térmicas pode ser bastante vantajoso. "Imagine uma unidade geradora deste tipo no interior de São Paulo. Teria uma rica fonte de abastecimento com as usinas de cana-de-açúcar e um preço incomparável da matéria-prima", disse.

Ele ainda lembrou que os testes servirão para balizar as condições de preço e de logística. Segundo cálculos da Petrobras, seriam necessários em torno de 15 caminhões de álcool por dia para abastecer a térmica de Juiz de Fora. O álcool será entregue pela BR Distribuidora. Além disso, diz Machado, para ter o sistema de geração elétrica com álcool ainda é preciso desenvolver um fator limitante do sódio existente no combustível. A se manter os mesmos níveis atuais, haveria maior gasto com manutenção ou redução da vida útil das turbinas.

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