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Petrobras adia concorrência para plataforma

A encomenda das plataformas de produção de petróleo P-51 e P-52 pela Petrobras, orçada em cerca de US$ 1 bilhão, vai ficar para o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta terça-feira, a estatal confirmou o adiamento do prazo de entrega das propostas pelas empresas participantes da licitação para janeiro de 2003. A encomenda, que pode criar 10 mil empregos durante dois anos, esteve no centro de uma briga entre o então candidato Lula e o presidente da Petrobras, Francisco Gros, durante a campanha eleitoral.A Petrobrás informou que adiou a entrega das propostas por solicitação das empresas concorrentes, que pediam esclarecimentos técnicos sobre os contratos, devido a complexidade. A licitação está sendo feita em três contratos: um para construção e montagem dos cascos e das plantas de processo das duas plataformas e outros dois para construção de módulos de compressão de gás e de geração de energia.O deputado federal Carlos Santana (PT-RJ), que na segunda-feira levantou a possibilidade do adiamento, disse que a decisão oficializada hoje pela Petrobrás vai dar mais condições para o governo federal eleito trabalhar para que as duas sejam feitas integralmente no Brasil. ?Não é que as ganhadoras da licitação tenham que ser empresas nacionais. Pode ser nacional ou internacional, mas como a geração de empregos é a questão central para nós, queremos negociar com as ganhadoras e garantir que as plataformas sejam feitas inteiramente no Brasil?, afirmou.Entre as concorrentes à licitação, pelo menos duas empresas são brasileiras: a Fels Setal, que controla o estaleiro Verolme, e a Odebrecht. A Petrobras não informa quem são os concorrentes.Sobre a estatal ter atribuído o adiamento à solicitação das empresas e não ter citado o pedido feito pela comissão de transição do governo federal eleito, Santana disse que ?essa foi a saída que arrumaram politicamente?.Um dos concorrentes confirma que houve muitos pedidos para o adiamento, pois não havia tempo para fechar os contratos com os subfornecedores de equipamentos. Para o deputado federal Luis Sérgio (PT-RJ), o adiamento da licitação abre a oportunidade de alterar itens do edital.O ex-secretário de energia, indústria naval e petróleo do Rio, Wagner Victer, acredita que deve-se aproveitar, desde já, para propor as modificações no edital. Segundo ele, ?deve-se, por exemplo, estabelecer um conteúdo local mínimo para as plataformas?. Ele lembra que isso já foi feita em duas plataformas da Petrobras, nos campos de Barracuda e Caratinga, quando o conteúdo local mínimo foi estabelecido em 40%.O executivo de uma das empresas interessadas ouvido pela Agência Estado não acredita em mudanças no edital. Para ele, fora a questão do aço, há condições de se fazer toda a encomenda no País. As plataformas serão utilizadas para produzir petróleo e gás nos campos de Marlim Sul e Roncador, na Bacia de Campos, maior região produtora do País.De acordo com Carlos Santana, o fato de a Petrobras não citar que atendeu ao interesse do governo federal eleito, e também do governo estadual eleito, ao adiar a licitação, é menor diante do adiamento. ?A gente não quer saber quem foi que botou o ovo. O importante é que o ovo foi colocado?, afirmou.Os critérios da licitação da Petrobras para construção das plataformas marítimas de exploração de petróleo P-51 e P-52 estarão em debate na quinta-feira em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. O tema geral da audiência é a política industrial da estatal, mas ao fazer o requerimento da audiência, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), já colocava ênfase na construção das plataformas e navios. Segundo a deputada, se a Petrobras fizer a licitação com critérios da atual gestão, haverá exportação de empregos.

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 17h35

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