Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Petrobrás adia divulgação de plano de negócios

Conselho de administração da empresa se reuniu por nove horas, mas não anunciou definição sobre investimentos e venda de ativos

Antonio Pita, Fernanda Nunes e Vinícius Neder, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2015 | 23h03

A Petrobrás adiou nesta sexta-feira, 26, a divulgação das estratégias de seus negócios futuros e do corte de investimentos em seu Plano de Negócios para os próximos cinco anos. Reunido por cerca de nove horas, o conselho de administração da petroleira debateu os temas previstos na pauta, como a revisão do contrato de cessão onerosa e possíveis desinvestimentos - mas nenhuma decisão foi anunciada após o término do encontro. Segundo fontes ligadas à empresa, a intenção é divulgar um comunicado com informações da reunião na segunda-feira.

O mercado aguardava a definição de metas de produção e redução de endividamento como sinalização para retomada da confiança na estatal - abalada desde a revelação dos escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato. Apesar da expectativa, os integrantes do colegiado já indicavam ao longo da semana que poderia não haver consenso sobre o tamanho de corte de aportes. 

A estatal elaborou diferentes cenários para os investimentos da companhia entre 2015 e 2019, com reduções que variavam entre 25% e 40%, de acordo com variáveis como cotação do petróleo, variação cambial e geração de caixa. Se confirmado, o investimento ficaria abaixo da casa dos US$ 200 bilhões pela primeira vez desde 2009. Também era aguardado um maior detalhamento sobre possíveis vendas de ativos e sobre a reestruturação administrativa da companhia, mas as dúvidas persistem. 

Para analistas, o adiamento poderá gerar maior volatilidade nas ações da petroleira no próximo pregão das bolsas de valores. Ontem, as ações da companhia fecharam com ganho médio de 4,7% da BM&FBovespa. O resultado foi influenciado por declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de que “corrigiria” aspectos do marco regulatório do pré-sal. Ele defendeu a retirada da obrigatoriedade da Petrobrás ter pelo menos 30% de participação em todos os consórcios. 

Para o consultor Walter de Vitto, o adiamento não é “decisivo” para o futuro da empresa. “O importante são as medidas a serem anunciadas - para isso, teremos que aguardar”, contemporizou. O analista Flávio Conde, do blog WhatsCall, avalia que “não sair corte é pior do que sair um corte pequeno”. “Eles (a diretoria) tiveram tempo suficiente para chegar numa conclusão para convencer os conselheiros. Se não conseguiram, é porque alguma coisa não saiu dentro do esperado”, completou. Para Conde, agora o mercado vai querer saber quais as propostas de redução nos investimentos e como cada conselheiro votou. 

Já Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (Cbie), a indefinição revela as dificuldades da atual administração para encontrar soluções para a fragilidade financeira da companhia. “É um sinal de que esse mandato não é independente, que não há estratégia para tirar a Petrobrás da situação em que se encontra. Se o conselho tivesse liberdade, já teria cortado e feito reajuste de preços”, afirmou. 

Cenário. A apresentação do Plano de Negócios era aguardada desde maio e encerraria as pendências deixadas pela gestão da ex-presidente Graça Foster, fortemente abalada pelos casos de corrupção na empresa. A ex-presidente e toda sua diretoria deixaram a companhia em fevereiro, sem a divulgação dos relatórios financeiros auditados do terceiro e quarto trimestre de 2014, ou a definição do plano de negócios da companhia diante da nova realidade do setor, com cotações internacionais na metade do valor negociado nos últimos anos, de US$ 100 por barril. 

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