Petrobras adia funcionamento da P-54; P-52 será inaugurada em dezembro

A Petrobras terá que atrasar a entrada em operação de sua plataforma P-54 em pelo menos quatro meses, informou nesta terça-feira o gerente de Implementação de Empreendimentos para o campo de Roncador, na Bacia de Campos, Antonio Carlos Justi.O novo prazo para a conclusão das obras na unidade será abril de 2007, em vez de janeiro. Só então, a plataforma parte para os testes, que devem levar entre um e dois meses, antes de seguir para o campo de Roncador.Segundo Justi, a demanda aquecida por equipamentos do setor de petróleo e gás natural, não só no Brasil, como no mundo, está atrasando a entrega de encomendas para a construção de unidades de produção."Temos problemas por exemplo com a entrega de válvulas. Os fornecedores prometem entregar em determinada época, mas acabam não conseguindo cumprir o prazo pré-estabelecido", comentou após participar da inauguração da ampliação do estaleiro UTC, antigo Ultratec, em Niterói.Ao lado da P-50 - que garantiu a auto-suficiência do País em petróleo - a P-54 é um dos maiores navios-plataforma do tipo FPSO a operar no Brasil. Depois de ser convertida durante 22 meses, no estaleiro Jurong Shipyard, em Cingapura, a partir do casco do antigo navio-petroleiro Barão de Mauá, a P-54 em julho para a integração dos módulos de processo, utilidades, geração de energia e compressão de gás, no estaleiro Mauá-Jurong, em Niterói. A unidade terá capacidade para processar 180 mil barris de petróleo por dia e comprimir diariamente seis milhões de metros cúbicos de gás naturalP-52A estatal prepara uma grande festa para inaugurar em dezembro a plataforma P-52, primeira semi-submersível a ser construída no País (tem cerca de 71% de conteúdo nacional, exceto o casco). Apesar de só ter sua partida para o campo de Roncador, na Bacia de Campos, prevista para o final do primeiro trimestre de 2007, após a realização de todos os testes, a plataforma é emblemática para o governo Lula, já que foi a primeira a ser licitada com exigência de conteúdo nacional acima dos 65%.Antes dela, o setor de construção naval no Brasil havia convivido com a polêmica sobre a construção do casco da plataforma P-50 em Cingapura, fato que marcou a campanha presidencial em 2002.Construída de forma modular, a plataforma teve suas obras realizadas em seis lugares diferentes: o casco foi feito no estaleiro da Keppel Fels, em Cingapura, os quatro módulos de processo e utilidades foram construídos no canteiro da Keppel Fels, em Niterói; os de geração de energia, no canteiro da Mac Laren, também em Niterói, e os de compressão, no Porto Novo Rio, no Caju.A integração de todos estes módulos ao casco, que chegou ao Brasil no primeiro semestre deste ano, se concentram no canteiro do estaleiro Brasfels, antigo Verolme, em Angra dos Reis.A P-52 terá capacidade para processar 180 mil barris de petróleo por dia de petróleo e comprimir 9,3 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. ConstruçãoA Petrobras recebe no próximo dia 24 de outubro as propostas técnicas e financeiras para a construção da plataforma P-55, destinada à terceira fase do campo de Jubarte, na Bacia de Campos.O recebimento das propostas já havia sido adiado por duas vezes porque, segundo a estatal houve grande número de pedidos de esclarecimentos técnicos feitos pelas empresas convidadas.Segundo Justi, antes desta entrega, no dia 20, a Petrobras recebe as propostas das empresas convidadas a participar da licitação para a construção dos módulos de compressão de gás natural da P-55 e também da P-57, plataforma que será instalada também no campo de Jubarte.A licitação bilionária para ambas as plataformas está ocorrendo em conjunto. Já foram entregues e estão sendo analisadas tecnicamente as propostas para a construção da P-57. Apenas duas das empresas convidadas demonstraram interesse na licitação: o estaleiro Jurong, de Cingapura, que no Brasil tem o braço Mauá-Jurong, em parceria com o empresário German Effromovith, do Grupo Marítima; e o estaleiro Atlântico Sul, da Camargo Correa, ainda sem estrutura física instalada e com previsão de construir um estaleiro no Porto de Suape.O reduzido número de concorrentes foi atribuído pelo mercado à complexidade da obra, que envolve a concepção de um novo tipo de casco - o FPSO Brasil, idealizado pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).Em ambas as plataformas, a Petrobras exige que o casco seja construído no Brasil. Mas o vencedor da licitação para a P-57 não poderá levar a P-55.Segundo Justi, também já foram entregues as propostas para a construção dos módulos de geração de energia. Participam da concorrência, as empresas Rolls Royce, Dresser, Siemens e Nuovo Pignone.

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