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Petrobrás adia plano de investimentos

Pela segunda semana consecutiva, estatal frustra mercado e não apresenta seu Plano de Negócios para o período 2011-2015

Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Depois de uma corrida contra o tempo para tentar acertar os ponteiros entre suas áreas técnicas e fazer os ajustes necessários, a Petrobrás desistiu de anunciar seu Plano de Negócios para o período de 2011-2015 na noite de ontem. Foi a segunda semana consecutiva que a estatal frustrou a expectativa do mercado pelos seus números para os próximos cinco anos.

Na semana passada, o conselho de administração havia recomendado uma série de análises dos projetos e também a redução dos investimentos para manter a média anual no mesmo patamar do plano anterior, de US$ 44,8 bilhões por ano, ou US$ 224 bilhões entre 2010-2014.

De posse dos principais ajustes feitos pelas áreas técnicas, a pedido do conselho de administração, a diretoria da estatal se debruçou nos últimos dois dias sobre o plano, para tentar divulgá-lo antes da viagem do presidente da empresa, José Sérgio Gabrieli, ao exterior na próxima semana. Mas o grande número de projetos adiou a divulgação do programa, agora por tempo indeterminado. Gabrielli estará em Paris na segunda feira, e segue para evento na Noruega na quarta-feira. Para a próxima sexta-feira, está previsto o lançamento da plataforma P-56 no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Mas não está ainda descartada nova análise do plano na reunião semanal de diretoria na quinta-feira.

Na última quinta, a tradicional reunião da diretoria se estendeu até a madrugada e frustrou a expectativa inicial de aprovar o plano ainda no mesmo dia ou, no máximo, deixá-lo encaminhado para uma possível reunião do conselho via teleconferência ontem. Segundo a Agência Estado apurou, para cumprir a meta de redução de gastos não foram cortados projetos, mas o cronograma de alguns foram alterados.

"Fazer caber". A ideia, disse uma fonte da empresa, é "fazer caber" dentro do volume de investimentos esperado para o período novos projetos que devem começar a ser implementados nos próximos anos, como é o caso das refinarias do Nordeste. Essa mesma fonte revelou que o ajuste no orçamento não foi apenas um pedido do governo - como forma de conter a inflação - mas também recebeu aval da própria equipe financeira, preocupada com os projetos vultosos.

Segundo a Agência Estado apurou, a área de Exploração e Produção deve ser a que terá a menor mudança entre os projetos apresentados originalmente e a área de Gás e Energia poderá ter os maiores cortes, inclusive nos projetos de construção de unidades de fertilizantes. No Abastecimento - que amargou prejuízo no primeiro trimestre deste ano por causa da política da empresa de não repassar a alta do barril de petróleo para a gasolina e o diesel - é que se concentrarão as alterações de cronograma.

A construção das duas refinarias Premium - no Maranhão e no Ceará - principal foco da crítica do mercado - tinha previsão de investimentos de US$ 30 bilhões, para processaram quase um milhão de barris a partir de 2017, entrando em operação gradualmente a partir de 2015. Uma das ideias seria adiar em pelo menos dois anos essa inauguração.

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