Petrobrás adiciona até 2 bilhões de barris às reservas do pré-sal

Testes na área do Projeto Guará, na Bacia de Santos, constataram 'altíssima produtividade'

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

A Petrobrás acrescentou de 1,1 bilhão a 2 bilhões de barris de petróleo e gás ao potencial de reservas da área do pré-sal. Segundo a companhia, esse é o volume do Projeto Guará, na Bacia de Santos, cujos testes de reservatório constataram "altíssima produtividade".

Incluindo os Campos de Tupi e Iara e o Complexo Petrolífero Parque das Baleias, no Espírito Santo, o pré-sal brasileiro tem hoje volume de petróleo estimado em até 16 bilhões de barris.

Guará está localizado no bloco BM-S-9, 55 quilômetros a sudoeste de Tupi. A Petrobrás tem 45% do consórcio responsável pela operação do projeto e o restante é dividido entre a britânica BG (30%) e a espanhola Repsol (25%).

Segundo a estatal, o teste foi limitado a uma vazão de 7 mil barris por dia em razão do equipamento utilizado. A empresa acredita, porém, que o poço possa produzir até 50 mil barris de petróleo e gás, praticamente o mesmo que toda a produção marítima fora da Bacia de Campos.

Com o resultado do teste, Guará passa a ser a quarta área do pré-sal a ter potencial de reservas identificado. A maior, Tupi, tem entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo; Iara tem entre 3 bilhões e 4 bilhões; e o Parque das Baleias, no Espírito Santo, entre 1,5 bilhão e 2 bilhões. Com Guará, portanto, as perspectivas para o pré-sal agora variam de 10,6 bilhões a 16 bilhões de barris. As reservas atuais de petróleo no País são de 14 bilhões de barris.

A empresa informou ainda que a área terá prioridade para receber o segundo sistema de produção destinado ao pré-sal da Bacia de Santos - o primeiro será instalado em Tupi, no fim de 2010. A concessão terá ainda mais um poço exploratório este ano, conforme previsto no plano de avaliação da descoberta aprovada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

"Nós realmente estamos lidando com um potencial de reservas extremamente extraordinário", afirmou ontem, em entrevista ao Estado, o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella.

Ele falava antes do anúncio do novo potencial de Guará, que foi divulgado em nota oficial na noite de ontem. No início da tarde, quando recebeu a reportagem, o executivo negou-se a comentar o desempenho dos testes.

Além de Guará, a Petrobrás testa o projeto de Iara, que já tem potencial de reservas avaliado. Recentemente, a falta de confirmação de reservas tem motivado especialistas a rever para baixo as estimativas para o pré-sal. Para Estrella, porém, as revisões são precipitadas.

"O mercado faz essas previsões para identificar oportunidades ou ameaças aos preços das ações, isso é natural. Mas nós trabalhamos no médio e longo prazos", comentou o executivo.

A Petrobrás anunciou ontem também a retomada do teste de longa duração de Tupi, suspenso no início de julho por causa de problemas de fabricação de um lote de parafusos usados para fixar equipamentos no fundo do mar. Segundo Estrella, porém, ainda é cedo para qualquer comentário a respeito dos resultados do teste de produção, que deve durar 18 meses. "A gente está trabalhando na fronteira do conhecimento e precisa de um certo tempo", disse o executivo.

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