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Petrobrás admite que pode deixar de pagar dividendos

Diretor da estatal diz que a possibilidade ainda não é considerada, mas pode ser uma opção a depender da situação financeira da companhia

Antonio Pita,André Magnabosco,Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2015 | 16h29


A Petrobrás poderá deixar de pagar dividendos aos acionistas se entender que atravessa uma situação de "estresse financeiro". A avaliação é do diretor Financeiro da companhia, Almir Barbassa. Segundo ele, essa é uma prerrogativa da Lei das S.A., mas a companhia ainda não analisa a possibilidade no momento.

"A alternativa poderá ser considerada a depender da avaliação da situação financeira da companhia", afirmou Barbassa.

Segundo ele, "em situação normal de negócio", a política da Petrobrás é remunerar as ações preferenciais e garantir 25% de distribuição do lucro. Mas o diretor frisou que esse pagamento dependerá da avaliação da situação da estatal.

"Há uma possibilidade, e ela não está sendo colocada nesse momento, mas poderá sê-lo, que se refere à não haver pagamento de dividendos. Se uma companhia, qualquer companhia, julga que há situação de estresse financeiro, há possibilidade de não haver pagamento", explicou.

Balanço. O balanço divulgado nesta quarta-feira sem o aval da auditoria independente e sem baixas contábeis frustrou a expectativa de investidores. Entre julho e setembro do ano passado o lucro foi de R$ 3,1 bilhões, queda de 38% em relação ao segundo trimestre de 2014 e de 9% em relação ao terceiro trimestre de 2013. O Ebitda ajustado foi de R$ 11,7 bilhões - queda de 28% ante mesmo período de 2013.

A companhia atribuiu a queda no lucro líquido ante o trimestre anterior às maiores despesas operacionais, principalmente pela baixa dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I (R$ 2,1 bilhões) e Premium II (R$ 596 milhões), devido à descontinuidade desses projetos.

Segundo a empresa, a divulgação dos resultados sem a revisão dos auditores independentes tem o objetivo de atender obrigações da companhia (covenants) em contratos de dívida e de cumprir seu dever de informar o mercado e agir com transparência no episódio da Lava Jato. A companhia diz que entende ser necessário fazer ajustes no balanço para corrigir os valores dos ativos, mas não houve consenso sobre a metodologia adequada para a correção.

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