Petrobrás admite reduzir plano de investimentos

Petrobrás admite reduzir plano de investimentos

Gerente de relações com investidores diz que sem capitalização corte é inevitável, pois estatal não quer empréstimos

Kelly Lima / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

A Petrobrás conta com a capitalização para realizar o plano de investimentos anunciado há uma semana, que prevê até US$ 220 bilhões em aportes no período entre 2010 e 2014. A informação foi dada ontem pelo gerente de Relações com Investidores da companhia, Alexandre Quintão. Segundo ele, a empresa terá de reduzir a projeção de investimentos caso a capitalização não ocorra.

O processo de cessão onerosa, no qual o governo venderá à estatal até 5 bilhões de barris de petróleo, está sendo avaliado pelo Senado. Com o dinheiro da venda, a União compraria ações da Petrobrás no processo de capitalização. "Teremos de reduzir investimentos (caso a capitalização não ocorra)", disse Quintão.

A empresa não pretende recorrer a financiamentos no mercado financeiro, afirmou ele, pois já está com elevado nível de endividamento. "A Petrobrás levou muito tempo para conquistar seu investment grade e não vai perder agora de jeito nenhum. E por isso a gente tem de manter a alavancagem dentro de um limite aceitável pelas agências de rating", afirmou.

Caso a capitalização não seja aprovada, disse Quintão, a emissão de novas ações preferenciais no mercado é um dos instrumentos que podem ser estudados, pois permitiria o aumento de capital sem diluição da fatia do governo no bloco de controle. Frisou, no entanto, que essa é apenas uma possibilidade prevista em lei e não chegou a ser estudada de fato pela companhia.

A citação sobre uma emissão de ações, porém, derrubou os papéis da Petrobrás na Bolsa de Valores de São Paulo ontem: as ações preferenciais fecharam em queda de 2%, em dia de alta de 0,35% no índice Bovespa.

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