Petrobrás admite rever prazo de capitalização

Empresa convoca acionistas para aprovar oferta, mas Gabrielli diz que crise da Europa pode alterar o cronograma

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

A Petrobrás deu o primeiro passo para o processo de capitalização, ao convocar uma assembleia de acionistas para autorizar o aumento de capital. A empresa vai pedir permissão para emitir até 5,6 bilhões de novas ações, volume que, a preços atuais, representaria captação de R$ 160 bilhões. Em entrevista em Madri, porém, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, disse que o cronograma pode ser revisto caso a crise ganhe força.

Segundo comunicado distribuído ontem, a assembleia será no dia 22 de junho. Os acionistas terão de votar proposta para ampliar o número de ações, hoje em 8,7 bilhões - o estatuto atual da companhia estabelece um limite de emissão de 200 milhões de novas ações. O estatuto também limita o aumento de capital em R$ 60 milhões. A Petrobrás propõe que o limite seja alterado para R$ 150 bilhões.

A empresa ressalta, no comunicado, que os novos limites não representam o valor da oferta pública de ações, que depende de definições como o tamanho do plano de investimentos da companhia, o valor das reservas que serão vendidas pelo governo e a relação entre dívida e capital que a companhia pretende ter no futuro. O plano de investimentos deve ser anunciado na primeira quinzena de junho, com orçamento entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões.

Segundo cálculos do analista Gilberto Pereira de Souza, do Banco Espírito Santo (BES), a Petrobrás conseguiria arrecadar até R$ 160 bilhões com a venda de 5,6 bilhões de ações a preços atuais. Ele acredita que uma captação desse porte é factível, desde que o governo consiga aprovar a cessão onerosa de reservas do pré-sal para estatal, em discussão no Senado. Caso contrário, o valor da capitalização deverá ser bem menor.

A companhia vem falando em finalizar a operação entre o fim de julho e o início de agosto, mas ontem Gabrielli admitiu pela primeira vez que o processo pode ser adiado em caso de recrudescimento da crise financeira internacional. "Se a crise continuar como agora, nós vamos em frente (com o processo). Mas se a crise se aprofundar e se espalhar, teremos de reconsiderar", afirmou ele, em entrevista à agência de notícias Bloomberg.

Gabrielli ressaltou, porém, que a empresa espera que a situação permita a manutenção do cronograma. Para Souza, do BES, porém, a estatal não tem muitas alternativas. "Ja houve tempos melhores (para a capitalização), mas a questão é que a Petrobrás está no limite de sua capacidade de endividamento e corre o risco de perder o investment grade, o que também teria impacto negativo sobre o preço das ações", comentou.

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