Petrobras afirma que plano de investimentos sai neste ano

Presidente da estatal não diz se crise financeira afeta plano, mas reforça atenção da companhia aos problemas

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

14 de outubro de 2008 | 13h41

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou categoricamente nesta terça-feira, 14, que o plano de investimentos da empresa referente ao período de 2009/2013 (com projeções para 2020) deve sair este ano. "Com certeza (o plano sairá este ano)", respondeu ao ser indagado por repórteres sobre o tema durante o lançamento do Programa Petrobras Cultural 2008/2009 no Rio.   Veja também: Bush anuncia compra de ações de bancos pelo Tesouro dos EUA Em meio à crise, empresas têm que pagar US$ 15 bi ao exterior Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Quando indagado novamente se o plano poderia sair em dezembro, Gabrielli limitou-se a dizer que haverá reunião do Conselho de Administração da empresa na próxima sexta-feira. Ele não descartou que o andamento do plano possa ser discutido durante a reunião.   O executivo não respondeu se os efeitos da crise dos mercados internacionais poderiam conduzir a modificações no plano de investimentos da empresa. Mas afirmou que a Petrobras está atenta às possíveis conseqüências para a estatal dos efeitos da crise dos mercados internacionais.   Segundo Gabrielli, a empresa tem notado a recente queda na cotação do barril de petróleo. Porém, o executivo foi cauteloso quando respondeu a questionamentos se esse cenário poderia conduzir a mudanças nos planos futuros da empresa. "Quando fazemos projeções, não trabalhamos com o preço atual de mercado (do petróleo). Projetamos não o que esperamos, mas aquele preço que reduz o risco de nossos investimentos. É o que chamamos de preço de robustez. Não tem nada a ver com o que está acontecendo no mercado hoje", afirmou.   O executivo também foi cauteloso quando questionado sobre possíveis dificuldades de captação no mercado internacional devido à crise. "Vamos analisar as condições dos projetos e as condições de financiamento", disse.   Entretanto, embora considere que, no caso da atual crise, "as movimentações de curto prazo não representam visões de longo prazo", o executivo admitiu a gravidade do atual momento. "Você hoje tem uma crise de solvência, de liquidez no mercado de crédito originada fortemente pela economia americana, pelo lado financeiro. E tem desdobramentos na Europa, que afeta o setor bancário de crédito. Não se tem ainda muita clareza sobre as dimensões, sobre a profundidade dela (da crise) e como isso chega à economia real", afirmou.   O executivo elogiou a ação coordenada de governos e bancos centrais esta semana para ajudar o sistema financeiro internacional. Entretanto, ainda considera difícil dizer que o pior da crise já passou. "É difícil dizer. Você não sabe se o pior já passou ou se não passou, pois você não sabe a dimensão do problema. Você está tendo uma doença grave que está em um episódio agudo, grande, mas que é uma doença grave", avaliou.   O executivo informou ainda que a Petrobras não pretende, no momento, realizar recompra de ações tendo em vista o atual cenário nos mercados.

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