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Ed Ferreira/Estadão
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Petrobrás ainda discute perdas com corrupção; Luciano Coutinho assume conselho

Atual presidente do BNDES substitui o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega até a próxima reunião de conselho, prevista para abril

Fernanda Nunes,Antonio Pita,Daniela Milanese, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 18h40

Texto atualizado às 21h24

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, assumiu provisoriamente o comando do conselho de administração da Petrobrás, em substituição ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A decisão foi tomada em reunião do colegiado nesta quinta-feira, 26, em que também discutiu a metodologia de perdas contábeis da estatal por conta da corrupção. Apesar da grande expectativa, a reunião frustrou conselheiros independentes e o mercado por não apresentar novidades sobre as perdas contábeis da estatal por corrupção. 

Segundo fontes, a  diretoria apenas mostrou a "evolução" dos cálculos, sem apresentar uma versão final da metodologia desenvolvida para registrar as perdas nos ativos com contratos suspeitos. Os conselheiros discutiram também um "calendário" de elaboração do relatório. A próxima reunião está prevista para o dia 17 de abril. 

A única decisão comunicada foi a substituição no comando do colegiado. Luciano Coutinho foi escolhido para o cargo por "maioria", o que indica que não houve consenso entre os conselheiros. Ele atua no órgão desde 2007, eleito pelo governo. O BNDES tem cerca de US$ 16 bilhões investidos na companhia e também em empresas parceiras, como a Sete Brasil, responsável pelo aluguel de sondas de perfuração à estatal. 


O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, renunciou ao cargo em meio a rumores de que o governo já teria convidado um substituto. Segundo fontes, Murilo Ferreira, presidente da Vale, já foi escolhido pelo governo para comandar o conselho da estatal. O objetivo  é indicar nomes para o órgão com respaldo do mercado para resgatar a credibilidade da Petrobrás.

Coutinho ficará no comando do conselho até o dia 29 de abril, quando uma assembleia geral de acionistas deverá escolher novos integrantes para a composição do colegiado. Na próxima assembleia também serão confirmados como conselheiros o novo representante dos funcionários no colegiado, Deyvid Bacelar, e do advogado Luiz Navarro, indicado pelo governo. 

Uma das missões do novo conselho será a atualização do plano de negócios e gestão da companhia para o período entre 2015 e 2019. Diante de uma situação financeira delicada, a companhia deve cortar investimentos e revisar sua atuação em setores considerados menos estratégicos, como gás e energia. 

De acordo com as regras atuais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a assembleia de acionistas também deve analisar as contas anuais da companhia. Para tanto, o balanço referente ao exercício de 2014 deve ser divulgado com um mês de antecedência - prazo que se encerra na próxima segunda-feira. Não há, entretanto, previsão de que o relatório seja apresentado. 

Apesar da ansiedade do mercado, até o fechamento desta edição os conselheiros não tinham chegado a uma conclusão sobre os critérios para o cálculo das perdas contábeis decorrentes da corrupção. Em mais de 10 horas de reunião, o tema dominou a pauta e o embate entre os conselheiros. 

Nas últimas semanas, o diretor financeiro da estatal. Ivan Monteiro, se reuniu com conselheiros independentes para esclarecer a metodologia e costurar um consenso. A metodologia proposta, que prevê a adoção dos valores de superfaturamentos identificados nas obras investigadas pelo Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato. 

Reunião. Esta semana, o presidente da estatal, Aldemir Bendine se reuniu com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão. A pauta do encontro foi a cobrança de dívidas da estatal com impostos relacionados a empreendimentos no estado. No início do ano, diante da crise nas contas públicas, o governador ameaçou cortar benefícios fiscais do Comperj. O governador estuda parcelar a dívida da estatal e estender o benefício a outros devedores do estado. 

"Cheguei à conclusão, depois de conversar com a Petrobrás, que não vou precisar cortar (benefícios fiscais). A Petrobrás está pleiteando alongar essa dívida. A Petrobrás está numa situação difícil também. Estou mandando para a Assembleia projeto de lei que facilite o recebimento de recursos, dando prazo maior para devedores pagarem", afirmou Pezão. (Colaborou Felipe Werneck)

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