Petrobras alonga prazos de financiamentos com BB e Caixa

Com o petróleo em queda livre no mercado internacional, estatal pode ficar mais dependente de empréstimos

Fabio Murakawa, da Reuters,

23 de dezembro de 2008 | 06h56

A Petrobras anunciou na noite de segunda-feira ter alongado prazos de financiamentos contraídos junto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal em 2008, ampliando o volume captado junto à Caixa. "A companhia busca através dessas novas captações alongar parte da dívida, adequando-a às suas necessidades", disse a Petrobras em nota.  Veja também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira globalDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  No comunicado, a Petrobras disse ter efetuado o pagamento antecipado de dois financiamentos do Banco do Brasil com vencimentos programados para o primeiro semestre de 2009 e renovado o empréstimo com novo prazo de investimento em 2011. O valor total desse financiamento é de R$ 2 bilhões.  A companhia informou em nota ter feito antecipadamente o pagamento referente à captação efetuada junto à Caixa, renovando-o em seguida pelo valor de R$ 3,6 bilhões e captando recursos adicionais de R$ 1,5 bilhão. O vencimento desse empréstimo também será em 2011.  Desconfiança O primeiro empréstimo da Caixa a Petrobras foi trazido à tona no fim do mês passado pelo senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), que levantou desconfiança sobre uma possível dificuldade que a estatal pudesse estar enfrentando em seu caixa. O senador revelou em plenário que a estatal havia recorrido ao financiamento de R$ 2 bilhões junto à Caixa não para cumprir investimentos, mas para cobrir despesas operacionais.  A estatal explicou ao mercado que os recursos foram necessários, por causa, principalmente, do montante de royalties cobrados sobre sua produção de petróleo no terceiro trimestre, ainda com o valor superior a US$ 100 por barril.  No início de dezembro, o preço do petróleo ultrapassou o limite mínimo estipulado pela Petrobras para bancar o plano de investimentos no período 2008 a 2012, o que deve tornar a empresa mais dependente de financiamentos. O plano de investimentos atual foi feito em meados de 2007, quando o petróleo rondava US$ 70 por barril, com viés de alta. Na segunda-feira, o barril do petróleo Brent, utilizado como referência pela Petrobras, fechou em US$ 41,45. Revisão Na segunda, ao comentar o adiamento da revisão do plano estratégico, Gabrielli informou que o ano de 2008 será fechado com investimentos em torno de R$ 55 bilhões, mas não quis arriscar se o ritmo será mantido no próximo ano. "Particularmente, espero que não seja menor (o valor), mas o conselho (de administração) decidirá sobre o plano", disse, em resposta à possibilidade de um recuo no volume de recursos em relação a este ano. Gabrielli comentou que a Petrobras foi surpreendida pela dimensão e rapidez da crise e se mostrou perplexo diante do comportamento do preço do petróleo. "Essa volatilidade em seis meses não era esperada por nós. Foi uma queda muito rápida", disse lembrando que a estatal trabalha com a referência de preço do tipo Brent, normalmente cotado abaixo do tipo WTI. "Agora isso se inverteu: o WTI está em US$ 33 e o Brent, em U$ 44. Isso denota as incertezas sobre o que vai acontecer no futuro próximo", disse o executivo, justificando o adiamento do plano estratégico da empresa.  Gabrielli evitou entrar em detalhes sobre a reunião ocorrida na última sexta, em Brasília, com a participação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, presidente do conselho de administração. "Avaliamos que o pré-sal, aos preços atuais do barril, em US$ 40 ou US$ 50, é viável", afirmou.  Ele preferiu esquivar-se da questão do encargo político da estatal de manter a liderança de investimentos no País. Para o presidente da estatal, os efeitos negativos da crise serão amortecidos por uma mudança no setor de petróleo, que assistia a um superaquecimento responsável por elevar drasticamente os custos de equipamentos e serviços no mercado internacional.  "Os preços dos insumos estão caindo. O preço do aço caiu 40%. Isso vai ter de se refletir nos custos de algumas máquinas e equipamentos", disse, reconhecendo que a empresa está reavaliando contratos.

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