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Petrobras ameaça importar gás, caso preços para produção subam

A Petrobras pretende travar uma queda de braço com os fornecedores nacionais para evitar que a aceleração dos projetos voltados para o suprimento de gás natural ao mercado interno nos próximos dois anos puxem os preços para cima."Não adianta a indústria nacional se aproveitar do fato de estarmos com prazos apertados para poder jogar lá para cima os seus preços. A Petrobras está fazendo outros investimentos, como gasoduto, refinaria, etc. E se os planos de desenvolvimento de campos de gás no Brasil não se mostrarem competitivos com o preço do GNL (Gás Natural Liquefeito) no mercado internacional, a opção da Petrobras é por importar GNL e não mexer nas suas reservas", disse o gerente de Planejamento da Produção de Gás, Mauro da Silva Santana, em entrevista após participar de evento na Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip).Ele lembrou que os investimentos na aceleração destes projetos de gás natural devem consumir investimentos de US$ 8 bilhões até 2008, enquanto que a implementação de um sistema de regaseificação de GNL custaria em torno de US$ 100 milhões, sem considerar o afretamento da planta móvel a ser ancorada na Baía da Guanabara."É claro que seria absurdo pensar em manter uma importação de GNL para atender ao consumo de energia firme, mas se não houver bom senso da indústria nacional nesta hora, só restará à Petrobras recorrer a este recurso", alertou em apresentação feita a pedido da Onip para fornecedores do setor.Santa admite que seria difícil garantir este abastecimento com GNL no país, já que hoje existem no mundo apenas três plantas de regaseificação, que se deslocam para os países em que as contrata de acordo com a demanda do momento.ProjetosEle argumentou ainda que a Petrobras mantém a intenção de contratar duas plantas de regaseificação de GNL no país, que ficariam de prontidão para serem acionadas no caso de as usinas térmicas precisarem entrar em operação ou para o caso de uma emergência, em interrupção do fornecimento do gás boliviano, o que ele frisou não acreditar que aconteça."Todos os nossos esforços são para garantir que o gás nacional atenda a energia firme e o GNL só seja acionado em uma destas circunstâncias. Mesmo porque o próprio Ministério de Minas e Energia já tem sinalizado com a necessidade de acionar estas térmicas a partir de 2008 e 2009. Ou seja, temos que ter todos os projetos concluídos, o que envolve prazo, custo e risco. Temos que trabalhar em conjunto com fornecedores e governo para equilibrar estes três vértices", argumentou.Ele afirmou que em seus projetos para a implementação de plantas de regaseificção de GNL, a estatal trabalha com estimativas de preço na faixa de US$ 4,26 por milhão de BTU (medida britânica para o poder calorífico do combustível). Este valor considera um preço do barril a US$ 30, apesar de hoje ele ser cotado no mercado internacional a US$ 60.Para os valores atuais, segundo Santana, a previsão é de que o GNL regaseificado ficaria entre US$ 6 e US$ 8. Ele aposta, entretanto, na queda deste preço, independentemente de uma redução ou até mesmo disparada no preço do barril de petróleo.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2006 | 16h09

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