Petrobrás: analistas não recomendam resgate

Os analistas de mercado recomendam que os acionistas de Petrobrás avaliem com cuidado a conveniência de resgatar os fundos antes de a aplicação completar um ano. A maioria acredita que não é o momento correto de fazer o saque. Para o analista José Cataldo, do Sudameris, as ações da Petrobrás ainda têm potencial de valorização de mais de 40% neste ano, podendo passar do preço atual de R$ 54,60 para R$ 78,00. Ele lembra ainda que a Petrobrás é um dos papéis mais líquidos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e que a companhia deve ter bons resultados neste ano. "Esperamos um lucro recorde de R$ 9,4 bilhões em 2001." Segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), os fundos de Petrobrás vinculados aos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tiveram valorização média, até o dia 30 de janeiro, de 60,32%. A rentabilidade dos fundos de recursos próprios foi de 59,10%. Segundo Jorge Luiz Ávila, diretor de Ativos de Terceiros da Caixa Econômica Federal, quem aplicou R$ 100 mil com recursos próprios poderá perder, com desconto e impostos, cerca R$ 15 mil se retirar o dinheiro do fundo agora. O cálculo do diretor adota como premissa que as ações da Petrobrás manteriam até agosto a mesma variação positiva que registraram nos seis primeiros meses de existência dos fundos. Para a analista Catarina Pedrosa, da BBV Corretora, a grande questão é saber se algum outro fundo e mesmo a Bolsa conseguirá subir mais de 10% nos próximos seis meses, devido aos "respingos da economia norte-americana". Ela avalia também que a Petrobrás ainda tem motivos para subir em 2001, devido à perspectiva de crescimento do lucro, com o aumento da produção e a redução de custos. "Talvez o melhor seja manter os papéis e garantir o desconto de 20%." O analista Fernando Oliveira, da Fator Doria Atherino, tem posição oposta. Ele considera que o momento é ideal para sair dos fundos de Petrobrás. "Quem ficar com as cotas por mais seis meses assumirá o risco de queda do preço do petróleo e de uma recessão norte-americana." Para ele, os ganhos das ações da empresa neste ano devem ser limitados, abaixo do Ibovespa. A Fator projeta um preço-alvo de R$ 61,00 para os papéis ordinários da Petrobrás.

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