Petrobras antecipa para 2008 projetos de importação de gás

A Petrobras antecipou os projetos de importação de gás natural liquefeito (GNL) para o período entre março e maio de 2008. O cronograma original previa o início das operações em 2009 ou, dependendo do andamento das negociações, no final de 2008. Nesta quinta-feira, 25, o gerente-executivo de gás e energia da estatal, Antônio Monteiro de Castro, informou que a unidade prevista para o porto de Pecém, no Ceará, começa a operar em março do ano que vem. Já a unidade da Baía de Guanabara, no Rio, estará pronta dois meses depois.A antecipação pode pôr fim ao cenário de crise no suprimento de gás enfrentado pelo sistema elétrico brasileiro, uma vez que as duas unidades vão disponibilizar 21 milhões de metros cúbicos por dia às térmicas brasileiras. Em entrevista concedida na quarta-feira, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que o País não precisaria de térmicas este ano, já que as chuvas dos últimos meses ajudaram a recuperar a capacidade dos reservatórios das hidrelétricas.Em 2008, portanto, não haverá dificuldades para acionar as usinas, caso o cronograma da estatal seja cumprido. Segundo Castro, a Petrobras vai usar o GNL para cumprir os compromissos de venda de energia térmica assumidos em leilões da EPE para o período entre 2008 a 2010.Infra-estruturaAo todo, os dois projetos vão consumir US$ 180 milhões em obras de infra-estrutura para receber os navios de GNL importado. O maior investimento será feito na Baía de Guanabara (US$ 140 milhões), com a construção de um píer no Terminal da Ilha D´Água (onde a Petrobras já tem um terminal de movimentação de petróleo e derivados), um gasoduto ligando o local à Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e um duto de reforço da ligação entre a Reduc e Japeri, na Baixada Fluminense.O gás importado para a Baía de Guanabara poderá ser enviado aos Estados de Minas Gerais e São Paulo, além de abastecer térmicas no Rio. Para este projeto a empresa estuda o aluguel de uma embarcação do tipo RSV (sigla em inglês que identifica navios que fazem o transporte e a regaseificação do gás liquefeito). Essa embarcação, com capacidade para movimentar 14 milhões de metros cúbicos por dia, poderá ir buscar o GNL nos mercados produtores ou esperar o abastecimento por outras embarcações semelhantes.O navio é diferente do projetado para o porto de Pecém, que é chamado de FRSU (ou unidade flutuante de estocagem e regaseificação), e não tem autonomia para grandes viagens em busca do suprimento. Por isso, ficará ancorado em Pecém à espera de navios do tipo RSV. Segundo Castro, a empresa tomou essa decisão porque espera que a embarcação de GNL opere de forma mais contínua no Nordeste, devido às características do mercado local de energia.A embarcação terá capacidade para movimentar 7 milhões de metros cúbicos por dia e, de acordo com o executivo, se operar no limite, terá que ser recarregada a cada 10 dias. O GNL está sendo negociado com fornecedores do produto na bacia do Atlântico.

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