Paulo Whitaker/Reuters - 01/07/2017
Paulo Whitaker/Reuters - 01/07/2017

Petrobras aumenta preço do litro de diesel em 8,87%, de R$ 4,51 para R$ 4,91

Na semana passada, Bolsonaro reclamou dos altos ganhos da estatal e pediu que ela não subisse os preços

Mônica Ciarelli e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2022 | 10h51
Atualizado 09 de maio de 2022 | 19h14

RIO - Depois de quase dois meses sem reajustes, a Petrobras anunciou nesta segunda-feira, 9, uma alta de 8,87% no preço de venda do óleo diesel nas refinarias. O aumento é o terceiro do ano e o primeiro da gestão do engenheiro José Mauro Coelho, que assumiu o comando da estatal no último dia 14 de abril.  

O aumento do diesel já era aguardo pelo setor diante da escalada das cotações do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas. Os holofotes se voltam agora para o preço da gasolina. Em relatório a corretora Ativa Investimentos afirma que o reajuste do insumo deve acontecer em breve.  “Acreditamos ainda haver um potencial para a companhia reajustar a gasolina, o que pode ter sido evitado num primeiro momento, mas deve acontecer durante os próximos dias/semanas”, diz a corretora. 

A Petrobras justificou o anúncio ressaltando que o último reajuste, feito em 11 de março, “refletia apenas parte da elevação observada nos preços de mercado” e que, no momento, há uma redução mundial na oferta de diesel, o que pressiona os preços globalmente.

O novo aumento no diesel foi “absolutamente necessário” para evitar um desabastecimento do combustível no mercado brasileiro, afirmou o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda.

“Nós já estamos passando por um processo de racionamento seletivo. O Brasil tem 41 mil postos, mais ou menos 20 mil postos com a bandeira branca (marca própria), e os bandeiras brancas são atendidos por companhias distribuidoras menores, distribuidoras regionais, pequenas. Essas distribuidoras já não estão conseguindo importar o produto, o óleo diesel”, relatou Miranda. “Tem muito posto bandeira branca que não está conseguindo comprar óleo diesel”, completou.

Miranda defende que os preços dos combustíveis praticados no mercado doméstico precisam acompanhar os do mercado internacional para afastar o risco de desabastecimento. “O que é melhor, você pagar mais caro ou você não ter o produto para consumir?”, questionou o presidente da Fecombustíveis.

O novo reajuste deve chegar integralmente às bombas dos postos de combustíveis, prevê Miranda. Ele estima que o diesel já tenha ficado quase 40% mais caro nas refinarias apenas em 2022. Ainda assim, o combustível permanece com uma defasagem média de 11% na comparação com os preços praticados no Golfo do México, segundo os cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Já a gasolina, que não teve o preço alterado pela estatal agora, opera com uma defasagem média de 19%.

“Não chegou à paridade, mas foi positivo. Deixa claro o compromisso da nova gestão com a atual política de preços”, afirmou o presidente da Abicom, Sérgio Araújo. E completa: “O aumento aconteceu apesar da pressão política que todos os presidenciáveis fizeram nesse final de semana, criticando a política de preços da Petrobras, o que é um posicionamento em busca de popularidade”, ponderou.

A Abicom alerta que, com os atuais preços, as importações de combustíveis têm sido feitas basicamente pela Petrobras e as três principais distribuidoras do mercado (Vibra, Ipiranga e Raízen). Já as importadoras independentes estariam fora da concorrência nesse momento. “Os postos não fidelizados às grandes, os chamados postos de bandeira branca, estão ficando desabastecidos”, confirmou Araújo.

A Petrobras informou nesta segunda-feira que suas refinarias operavam com utilização de 93% da capacidade instalada no início de maio, ou seja, perto do nível máximo, mas ainda aquém da demanda doméstica, fazendo com que cerca de 30% do consumo brasileiro de diesel fossem atendidos por outros refinadores ou importadores.

No caso da gasolina, a Fecombustíveis não ouviu relatos de problemas ou eventuais riscos de abastecimento nos postos de combustíveis pelo País, uma vez que a produção doméstica tem melhores condições de atender à demanda interna. Paulo Miranda disse que a gasolina vinha aumentando continuamente ao consumidor devido ao encarecimento do anidro, que entra na mistura do combustível nas bombas. Segundo ele, embora haja ainda defasagem em relação ao preço internacional, eventuais novos reajustes da gasolina nas refinarias dependem de questões políticas.

“Aí é uma decisão puramente política, porque existe defasagem no preço da gasolina sim, mas o presidente está dando todo dia briga com a Petrobras, então não sei como vai ficar. A decisão é política”, opinou Miranda.

Bolsonaro

Na quinta-feira, 5, o presidente Jair Bolsonaro, mandou recados explícitos para José Mauro Coelho, novo presidente da Petrobras, como fazia com seus antecessores dias antes dos aumentos dos combustíveis.

"O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem mais aumentar mais os preços dos combustíveis!", disse o presidente durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

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