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Petrobrás capta US$ 4 bi com emissão de títulos no exterior

Demanda pelos títulos da estatal chegou a US$ 20 bilhões, o que, para analistas, reflete uma melhora na credibilidade da empresa

Fernanda Guimarães, Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2017 | 18h32

A Petrobrás iniciou 2017 provando que o ano poderá ser de virada para a companhia. A petroleira abriu a temporada de captações de recursos no exterior com uma emissão de US$ 4 bilhões, a um custo mais baixo que o de suas últimas captações, conseguindo se distanciar do estigma deixado pela Operação Lava Jato. A demanda pelos papéis teria chegado perto de US$ 20 bilhões, conforme apurou o Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado.

Inicialmente, a Petrobrás mirava captar, ao menos, US$ 2 bilhões, mas acabou elevando o volume diante do custo considerado baixo. A estatal emitiu dois bônus, um com vencimento em cinco anos e outro com dez anos. Inicialmente, a taxa indicativa para os títulos era de 6,5% e 7,75%, respectivamente, mas foi revisada para 6,125% e 7,375%, diante da alta demanda. Na última emissão feita pela Petrobrás, em julho do ano passado, essas taxas ficaram em 7,875% e 8,750%. Antes disso, em maio, a empresa teve de pagar 8,625% e 9% aos investidores, em uma outra captação. Em 2015, em um bônus de 100 anos, a estatal pagou uma taxa de 8,45%.

“Essa emissão funciona como um recado. A empresa tem hoje muito mais qualidade. Essa captação, a esse custo, foi um marco”, diz uma fonte que acompanhou diretamente a operação. A fonte ressalta, ainda, que a estatal não elevará seu endividamento com a emissão, visto que deve usar todo o montante para recomprar os bônus com vencimento mais curto.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, disse que a nova captação era esperada. “A Petrobrás tem uma dívida muito alta, são aguardados esses movimentos de trocar a dívida buscando reduzir o custo”, disse.

Para o especialista, apesar da melhora na credibilidade da companhia com a nova gestão, ainda há um longo espaço até a sua recuperação. “A solução está longe de ocorrer, será quando começar a pagar dívida com a própria operação”, afirma. Pires destaca que a empresa está pagando a conta de investimentos malfeitos. “Isso demanda anos para ser resolvido, o que só ocorrerá se o cenários local e internacional não trouxerem contratempos.”

A agência de classificação de risco Moody’s atribuiu rating B2 e perspectiva estável à emissão externa da Petrobrás. A nota é a mesma da própria empresa, que subiu um degrau no ano passado, mas ainda continua com grau considerado “especulativo” - ou seja, há algum risco em relação à emissão. 

A Moody’s enfatizou que, em 2016, o risco de liquidez da estatal recuou, por conta da venda de ativos, que somou US$ 13,6 bilhões, e a troca de dívidas de US$ 10 bilhões no terceiro trimestre. Pondera, contudo, que o risco permanece significativo, visto que o volume de vencimentos em 2017 e 2018 soma US$ 7,9 bilhões e US$ 13,5 bilhões, respectivamente.

Próximas. Neste ano, a Petrobrás reabriu mais cedo o mercado de captações externas para empresas brasileiras. Já na segunda semana de janeiro levantou recursos no exterior, ao passo que no ano passado esse movimento, geralmente capitaneado pela estatal, ocorreu apenas em maio. Provou não só que se distanciou da Lava Jato, muito por conta da nova gestão da empresa, mas também que a conclusão do processo do impeachment no Brasil ajudou a melhorar a visão do País no cenário internacional. 

Depois de um ano fechado para captações externas diante do aprofundamento da crise política no Brasil e como reflexo da Lava Jato, as empresas brasileiras levantaram mais de R$ 69 bilhões em 2016, um salto de 191,5% em relação a 2015, conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Desse total, apenas a Petrobrás foi responsável pela emissão de US$ 9,750 bilhões ano passado, ou quase metade do que foi captado no ano passado. A emissão da Petrobrás foi coordenada pelo Bradesco BBI, Itaú BBA, Citi, HSBC e Morgan Stanley. /COLABOROU MARIANA SALLOWICZ

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