Petrobrás anuncia corte de custos de R$ 32 bilhões

Plano da empresa terá 515 iniciativas; anúncio ocorre após ameaça de rebaixamento da nota da estatal pela Moody's

RIO, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h07

A Petrobrás anunciou ontem um plano para cortar R$ 32 bilhões em despesas operacionais até 2016. A meta será alcançada "progressivamente" a partir de 2013 após a definição de 515 iniciativas de redução de custo em áreas como exploração e produção, refinaria, transporte, gás e fertilizantes, segundo comunicado da empresa. O anúncio foi feito dois dias após a agência de classificação de riscos Moody's ameaçar rebaixar a nota da estatal.

A Petrobrás afirmou que o plano de redução de custos começou a ser desenhado em junho e será implementado a partir de janeiro do ano que vem. A estatal acumulou gastos considerados gerenciáveis de R$ 63 bilhões em 2011, segundo o comunicado.

Na segunda-feira, a Moody's alterou sua perspectiva para o rating da Petrobrás de "estável" para "negativo". A agência justificou a mudança de perspectiva para a nota de risco pelo aumento da dívida da empresa e pelas "incertezas sobre os prazos de cumprimento de suas metas de aumento de produção".

A Moody's mostrou preocupação com os custos elevados da Petrobrás, com o plano de investimentos da companhia e com a elevada ingerência do governo brasileiro na empresa. A agência entende como risco adicional a influência do governo nos projetos de exploração em águas profundas e a imposição de requisitos de contratação de mão de obra e insumos nacionais, o que poderia "afetar" o desenvolvimento futuro da empresa.

A Petrobrás registrou perdas de R$ 1,34 bilhão no segundo trimestre deste ano, seu primeiro resultado negativo em 13 anos. A companhia atribuiu as perdas a depreciação do real frente ao dólar, o que encareceu sua dívida estrangeira. Outros fatores também impactaram o resultado, como a produção de óleo bruto, a necessidade de serviços de manutenção em vários poços e a defasagem de preços de combustíveis - que não subiram por pressão do governo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que os preços da gasolina vão subir no ano que vem, mas não confirmou qual será o reajuste e quando ele entrará em vigor. / EFE

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