Petrobras anuncia descoberta de óleo leve na bacia de Santos

A Petrobras anunciou nesta terça-feira uma nova descoberta de óleo leve na Bacia de Santos, a mais de 5 mil metros de profundidade. É a segunda descoberta do tipo nos últimos meses o que, segundo especialistas, reforça a tese da existência de uma nova bacia petrolífera situada em uma camada do solo bem mais abaixo da que vem sendo explorada na Região Sudeste. A estatal, em nota, considerou o encontro do óleo "um marco histórico", mas ainda não há condições de determinar o volume da jazida e se a extração no local é comercialmente viável."O poço, ainda em perfuração, está situado em uma área de nova fronteira exploratória, em águas com 2.140 metros de profundidade, e representa um marco histórico na atividade de exploração de petróleo no Brasil: é o primeiro a ultrapassar uma camada de sal de mais de dois mil metros de espessura, no subsolo marinho, e encontrar petróleo", diz o comunicado.A perfuração ocorreu no bloco BM-S 11 (sigla usada para identificar as áreas na Bacia Marítima de Santos), que foi arrematado em 2000 pela Petrobrás, em parceria com a britânica BG e a portuguesa Petrogal, no segundo leilão realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Por lei, as empresas têm obrigação de informar imediatamente ao órgão regulador a existência de indícios de petróleo e gás nos locais perfurados. Mas, devido ao trabalho ainda preliminar no campo, nenhum executivo da companhia forneceu maiores detalhes da operação."É uma ótima notícia. Não é de hoje que se vem alertando para a necessidade de perfuração abaixo da camada de sal. Mas é um trabalho difícil e muito caro", explica o geólogo Giuseppe Bacoccoli, da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da UFRJ. Atualmente professor e consultor de mercado, Bacoccoli atuou por 30 anos na Petrobras, sempre na área de exploração e produção.Ele argumenta que, embora internacionalmente forte na produção de óleo em lâminas d´água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de grande profundidade, em torno de 2 mil metros, a Petrobras ainda trabalha com uma média de perfuração de poços que não passa de 2,5 mil metros. No caso como o da descoberta de Santos, é necessário que o poço atravesse entre 5 mil e 6 mil metros até chegar à jazida. Na opinião do especialista será necessária a perfuração de mais três poços para verificar o potencial do bloco, como dimensão da jazida e a medida de vazão.Bacoccoli acredita que a descoberta deveu-se à aceleração dos trabalhos da Petrobras em Santos, devido à crise do gás. A estatal está buscando novos suprimentos do mercado nos próximos anos, caso se acentue o impasse com a Bolívia, principal fornecedora do mercado brasileiro atualmente. "Para encontrar gás, é necessário explorar em locais ultraprofundos, onde as temperaturas são mais elevadas. É possível que, à procura de gás, a Petrobrás tenha descoberto óleo. E um óleo leve, também mais comum sob temperaturas elevadas", comenta.O óleo leve, com maior grau API (medida internacional que determina a qualidade do petróleo) tem valor comercial maior do que o óleo pesado, comum em Campos, a maior bacia produtora brasileira. Por suas especificações, este tipo de óleo tem custo de refino mais baixo. Ainda não há informações sobre o grau de API do óleo encontrado em Santos.Na nota distribuída hoje, a Petrobras informa que "por se tratar de uma nova fronteira exploratória, os resultados preliminares são muito importantes, porém serão necessários investimentos adicionais para a avaliação de volume e produtividade desses reservatórios". O poço, o primeiro perfurado no bloco BM-S-11, fica acerca de 250 quilômetros da costa sul da cidade do Rio de Janeiro e a 280 quilômetros da Refinaria Duque de Caxias (Reduc). A Petrobras é empresa operadora do bloco, com participação de 65%; a BG tem 25% e a Petrogal, 10 %.Matéria ampliada às 19h52

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