Petrobras anuncia grande jazida de gás na Bacia de Santos

Segundo a empresa, a área desta estrutura pode ter dimensões similares às de Tupi

Agência Estado,

21 de janeiro de 2008 | 18h33

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira, 21, a descoberta de "uma grande jazida" de gás natural na Bacia de Santos, com profundidade de cerca de 5.100 metros e espessura de mais de 120 metros. De acordo com a nota da empresa, "a área desta estrutura pode ter dimensões similares às de Tupi" - megacampo de petróleo descoberto pela Petrobras no final do ano passado. Veja também: Tupi: a maior jazida de petróleo do País    A descoberta, atribuída ao consórcio formado pela estatal (com 80% de participação) e Galp Energia (20%), foi denominado Júpiter,  e está localizado a 290 km da costa do Estado do Rio de Janeiro e a 37 km a leste da área de Tupi. A descoberta foi comunicada hoje à Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Petrobras informa que o consórcio dará continuidade às atividades e investimentos necessários para a verificação das dimensões desta nova jazida e das características dos reservatórios portadores de gás. "É um megacampo de gás. E vai nos ajudar, dentro de muito pouco tempo, a ter uma independência absoluta nesse setor", afirmou o novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, logo após tomar posse. Perspectivas Esta descoberta já estava sendo aguardada pelos especialistas do setor que acompanham as atividades da estatal, há pelo menos um mês. Relatórios divulgados pelos bancos Brascan e Credit Suisse no final do ano passado apontavam o potencial do bloco BM-S-24, onde está localizada Júpiter. Segundo o geólogo Giuseppe Baccocolli, da UFRJ, a espessura de 120 metros revelada pela Petrobras para este reservatório, indica um volume grande, principalmente pelo fato de o gás ter a possibilidade de ficar mais compactado na profundidade em que foi localizada a jazida. Antes do anúncio desta descoberta, executivos da Petrobras já haviam revelado que apenas Tupi - além do óleo - teria sozinho condições para produzir cerca de 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, ou o equivalente a tudo o que o Brasil importa hoje da Bolívia. A dificuldade, entretanto, seria para trazer este gás para terra, já que Tupi está localizado a 200 km da costa brasileira. Júpiter está a 290 km. Entre as alternativas para substituir um gasoduto deste porte - que inviabilizaria a operação financeiramente - a Petrobras estuda a possibilidade de, ou fazer uma planta de liquefação deste gás para transportá-lo líquido em navios-tanque, ou então instalar usinas térmicas em alto-mar, que pudessem transmitir energia por um linhão conectado ao Sistema Interligado Nacional.

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