Petrobrás anuncia nova descoberta no pré-sal

Poço fica a sudoeste de Tupi, a 280 quilômetros da costa e a uma profundidade de 5.350 metros; estatal não estimou reservas recuperáveis

Kelly Lima, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

Quarenta e dois dias após o anúncio oficial da existência de uma megarreserva de petróleo em Tupi, na camada de pré-sal da Bacia de Santos, a Petrobrás informou ontem ao mercado ter encontrado nova jazida de óleo leve em um bloco de exploração próximo àquela área. O bloco BM-S-21 é operado pela estatal, que tem 80% de participação no consórcio com a portuguesa Galp (20%). O poço perfurado no local não foi testado "por questões operacionais e de logística". Por isso, não há ainda estimativas sobre volume de reservas.A área está localizada a sudoeste de Tupi, e o poço pioneiro fica a 280 quilômetros da costa do Estado de São Paulo, a uma profundidade de 5.350 metros. "O consórcio dará continuidade às atividades e investimentos necessários para a verificação das dimensões da jazida, assim como das características dos reservatórios de petróleo, e está elaborando o Plano de Avaliação de Descoberta para ser encaminhado à ANP, conforme previsto no Contrato de Concessão", informou a Petrobrás ao mercado.O volume de Tupi, calculado entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, foi divulgado ao mercado mais de um ano após à primeira descoberta de óleo naquele bloco.A Petrobrás deverá também divulgar uma nova descoberta, agora em parceria com a Repsol, em bloco que ambas exploram no Peru. A notícia foi antecipada pelo diretor da Área Internacional, Nestor Cerveró, que não quis dar maiores detalhes sobre o volume da reserva encontrada.Segundo ele, a descoberta é de gás natural e está localizada na área de concessão de dois blocos, sendo um deles operado pela Repsol, com 53% de participação, e do qual a estatal tem 47%. No outro, a Petrobrás está sozinha, com 100% da concessão da área.Cerveró abusou dos adjetivos "interessante", "significativa", "importante" e "atraente" ao descrever a nova descoberta, mas indagado sobre o tamanho da reserva, se seria possível fazer uma comparação com o campo de Mexilhão, localizado na Bacia de Santos, por exemplo, ele desconversou. "É uma reserva muito importante, só posso dizer isso, porque quem fará o anúncio será a Repsol." Ainda sobre o Peru, mas completamente dissociado dos planos para a área em que houve a descoberta, Cerveró afirmou que existem planos da companhia de investir na construção de um pólo gasoquímico no país. A região sul do Peru é o destino mais provável do investimento, segundo o diretor. Os planos da construção de uma petroquímica na América do Sul já haviam sido citados pelo executivo no detalhamento do plano de investimentos da companhia, em setembro. À época, ele negou que estes investimentos iriam para a Venezuela - onde a Braskem já anunciou negócios - ou para a Bolívia - país em que a própria estatal também retomou planos de investimentos em uma central química."Esta é uma iniciativa que está em acordo com a estratégia da empresa de manter sinergias com as operações nos países em que atua, além de confirmar as nossas perspectivas de ampliar a nossa presença no setor petroquímico", informou Cerveró, que não quis detalhar o valor do investimento que poderá ser feito na unidade.Segundo Cerveró, a Petrobrás deverá investir no Peru em parceria com a Braskem, que também estuda a viabilidade do investimento. "Ainda não há nada concreto, apenas a intenção do governo peruano de instalar o pólo gasoquímico na região, que é a mais pobre do país, com o objetivo de promover seu desenvolvimento." De acordo com ele, a Petrobrás está aguardando definições do governo peruano sobre a forma pela qual se dará o investimento.A Petroperu, estatal petrolífera peruana, também deverá entrar como parceira no negócio.

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