Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Petrobrás anuncia reajuste de 39% para o gás natural

Aumento passa a valer a partir do dia 1º de maio; um dos pontos que influenciam o preço é a alta de 31% do IGP-M entre março de 2020 e março de 2021

Felipe Laurence, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2021 | 11h33

A Petrobrás informou ao mercado nesta segunda-feira, 5, que os preços de venda do gás natural para as distribuidoras terão aumento de 39% a partir do dia 1º de maio. Medido em dólares, o aumento será de 32%. "A variação decorre da aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, que vinculam o preço à cotação do petróleo e à taxa de câmbio", diz a petrolífera.

A empresa destaca que as atualizações dos preços dos contratos são trimestrais, ou seja, para o período e maio, julho e julho a referência são os preços dos meses de janeiro, fevereiro e março, quando o petróleo teve alta de 38%. Outro ponto que influencia o preço é a alta de 31% do IGP-M entre março de 2020 e março de 2021, no repasse dos custos incorridos pela companhia para o transporte do insumo até o ponto de entrega às distribuidoras. 

"Apesar do aumento em maio, junho e julho, ao longo de 2020, os preços do gás natural às distribuidoras chegaram a ter redução acumulada de 35% em reais e de 48% em dólares, devido ao efeito da queda dos preços do petróleo no início do ano", pondera a Petrobrás.

A empresa também esclarece que o preço final do gás natural ao consumidor não é determinado apenas pelo preço de venda, mas também pelas margens das distribuidoras (e, no caso do gás veicular, dos postos) e pelos tributos federais e estaduais. "Além disso, o processo de aprovação das tarifas é realizado pelas agências reguladoras estaduais, conforme legislação e regulação específicas." 

Abegás: alta reduz competitividade

A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) afirmou, em nota, que o aumento em média de 39% do gás canalizado, anunciado pela Petrobrás, tira a competitividade do insumo em relação a outros combustíveis, além de não beneficiar as distribuidoras, que têm remuneração definida pelas agências reguladoras.

Segundo a Abegás, o preço do gás natural poderia ser reduzido se as petroleiras produtoras não reinjetassem cerca de 50 milhões de metros cúbicos de gás diariamente nos poços de produção de petróleo e gás, volume que poderia chegar ao mercado consumidor e reduzir o preço do combustível.

"As distribuidoras estaduais não comercializam gás natural e os aumentos dados pela Petrobras serão repassados para o consumidor sem que as distribuidoras tenham qualquer ganho decorrente desse aumento", disse a Abegás em nota.

Segundo a entidade, as distribuidoras ficam com 17% do preço final do gás canalizado, enquanto a Petrobras e as transportadoras ficam com 59%. Os tributos federais e estaduais ficam com os 24% restantes. 

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