Petrobras aposta em reservatórios contíguos ao de Iara

Perfuração, que deve render 5 bilhões de barris, começará a ser realizada na segunda quinzena de dezembro

Kelly Lima, Agência Estado

02 de dezembro de 2009 | 21h48

A Petrobras vai mirar em possíveis reservatórios contíguos ao da descoberta de Iara, no pré-sal da Bacia de Santos, para tentar encontrar os cinco bilhões de barris que vai receber da União no processo de cessão onerosa que compõe sua capitalização, prevista no novo marco regulatório que está em trâmite no Congresso Nacional e deve ocorrer até o final do primeiro semestre de 2010. A perfuração começará a ser realizada na segunda quinzena de dezembro e a Petrobras vai arcar com os riscos e os custos da operação ao contrário de eles ficarem com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), como havia sido dito no início.

 

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que esta opção não tem impacto algum nos caixas da companhia. Cada poço a ser perfurado nestas áreas deve ficar na mesma média de outros feitos na região do pré-sal, na casa dos US$ 60 milhões. "Por se tratar de uma perfuração em área que pode conter a continuidade de um reservatório da Petrobras, é que estes custos tem que ser bancados pela empresa e não pela União. É interesse da Petrobras", justificou Barbassa. Fontes próximas à reguladora afirmam, no entanto, que repassar estes custos para a Petrobras, em vez de contratá-la para a perfuração foi uma opção para evitar a realização de uma licitação, que atrasaria o processo.

 

A ideia de perfurar em área vizinha à Iara, visando encontrar reservatórios contíguos às descobertas já realizadas, vinha sendo comentada desde o anúncio do marco regulatório, mas chegou a ser deixada de lado com a proposta da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de tentar encontrar um reservatório isolado que não tivesse ligação com as áreas já descobertas. Segundo Barbassa, faz parte da estratégia da empresa acelerar ao máximo a produção das descobertas já realizadas no pré-sal da Bacia de Santos.

 

Na área de Iara, operada pela Petrobras, com 65% de participação, em parceria com a BG (25%) e a Galp (10%), já foram localizados entre 2 a 4 bilhões de barris de petróleo, com perspectivas de início de produção a partir de 2013. Há fortes indícios, porém, de que a área de Iara extrapola os limites de concessão e invade outras áreas ainda sob comando do governo federal, o que exigiria uma unitização, ou seja, um acordo para exploração conjunta. Como o governo pretende ceder onerosamente sua parcela no reservatório para a Petrobras, é ela quem vai gerir a totalidade da reserva, caso sejam confirmadas as expectativas.

 

Indagado sobre a perspectiva de encontrar nesta área a totalidade dos cinco bilhões de barris que deverão ser repassados pelo governo, Barbassa brincou: "O objetivo é encontrar 100 bilhões. Isso seria ótimo". Há rumores entre especialistas e geólogos de que a área contígua a Iara possa conter volume equivalente ou maior do que o identificado dentro da área de concessão.

 

Ainda segundo o diretor apesar de ser um poço estratigráfico (que visa o conhecimento de camadas geológicas e não busca especificamente um reservatório de óleo ou gás), ele poderá ser estendido, caso venham a ser detectados indícios de hidrocarbonetos no local. Ele também comentou que ainda que não foi definida a localização da segunda sonda que será destinada às perfurações em busca dos barris da União que serão repassados à companhia.

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