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Petrobrás vai vender 60% de quatro refinarias

Parceria com empresas privadas afasta possibilidade de interferência do governo no preço dos combustíveis; venda pode levar um ano

Fernanda Nunes e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 11h19

RIO E SÃO PAULO - Duas décadas após acabar com o monopólio da Petrobrás na exploração e produção de petróleo no Brasil, mais um passo foi dado para a abertura do setor. A estatal anunciou ontem que vai vender 60% de quatro refinarias nas regiões Nordeste e Sul do País. Além de gerar caixa para a empresa, o esperado é que, com a participação da iniciativa privada, seja eliminada qualquer chance do próximo governo interferir nos preços dos combustíveis, como aconteceu na gestão petista.

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Desde julho do ano passado, a Petrobrás equipara os preços da gasolina e do óleo diesel às flutuações do mercado internacional. Nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, os preços dos combustíveis foram congelados por longos períodos para ajudar no controle da inflação. Isso contribuiu para a crise financeira na empresa. 

Sem a ingerência política nos negócios, a Petrobrás espera atrair investidores, que devem ficar com 60% de quatro refinarias – Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; Rlam, na Bahia; Repar, no Paraná; e Refap, no Rio Grande do Sul –, além da infraestrutura de transporte de derivados de petróleo ligada a elas. Com isso, a participação de mercado da estatal passará dos atuais 98% para 75%. 

“Na área de exploração e produção e na de refino, essa gestão de portfólio é fundamental para a Petrobrás. O mesmo é feito em empresas do mundo inteiro”, disse o presidente da Petrobrás, Pedro Parente.

O processo de transição e repasse do controle das quatro unidades deve durar cerca de um ano. Os detalhes do plano ainda estão sendo definidos, para que sejam apresentados à diretoria executiva e ao conselho de administração da petroleira. 

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Em comunicado aos empregados ao qual o Estado/Broadcast teve acesso, a Petrobrás acrescentou o Estado do Rio nos seus planos para o refino.

Cenário. “O reposicionamento no setor prevê também a revitalização do parque do Rio de Janeiro, traçando um cenário de atuação da companhia caso consiga concretizar uma parceria para o término das obras do Comperj. Os parceiros, por exemplo, podem trazer os investimentos necessários para a expansão do refino que, sozinha, a empresa teria maior dificuldades de fazer devido ao seu alto grau de endividamento atual”, afirmou o gerente geral de Programas de Reestruturação de Negócios de Refino, Comercialização e Transporte, Arlindo Moreira Filho. 

O Comperj e a Refinaria Abreu e Lima, que terá o controle vendido, estão no centro da Operação Lava Jato. A estimativa do Tribunal de Contas da União (TCU) é que US$ 12,5 bilhões tenham sido desviados no complexo petroquímico e US$ 3,7 bilhões, nas obras em Pernambuco. A primeira nunca saiu do papel e a segunda ficou pela metade e agora precisaria de ajuda para ser concluída.

Parcerias. O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, disse hoje que é fundamental mudar a dinâmica do setor de refino do Brasil, pois do jeito que está, "não é boa nem para o País nem para a própria Petrobras".

Em evento na Fundação Getúlio Vargas para lançar a proposta de reposicionamento da Petrobrás no setor de refino, Parente disse que o objetivo de reduzir a fatia da empresa no segmento para 75% ainda garante à estatal a integração com a cadeia (do poço ao posto). Segundo ele, a queda de participação da estatal no segmento foi o que mais demorou a ser decidido nas discussões internas para preparação do novo modelo.

"O modelo apresentado mantém com a Petrobras 75% do refino nacional, assegurando a posição de empresa integrada. Sob o ponto de vista estratégico, (esse ponto) foi o que levou mais tempo na discussão interna", disse Parente.

Segundo ele, manter o refino nas mãos de uma única empresa não é saudável, já que se essa companhia vai mal, o setor também vai mal. "Monopólio não é bom para a empresa e nem para o País", afirmou.

Ele destacou que a gestão de portfólio é fundamental para uma companhia como a Petrobrás e que as parcerias já demonstram no setor de exploração e produção e em outros segmentos que fazem bem para a estatal. "Na área do E&P e na área do refino, essa gestão de portfólio para Petrobras é fundamental, como é feito em empresas do mundo inteiro", explicou.

Segundo Parente, as parcerias estabelecem indicadores de referência elevados, e que "já entrou no DNA da empresa que as parcerias melhoram a companhia". O executivo destacou ainda que a entrada de parceiros privados no setor de refino pode ajudar a manter os preços dos combustíveis livres.

A Petrobrás passou a reajustar diariamente o preço dos combustíveis em julho de 2017, após anos de uma política de congelamento de preços para não repassar a oscilação do mercado internacional para o bolso do consumidor brasileiro.

Parente afirmou que quer trazer para o refino a boa experiência de parcerias que a estatal tem na área de exploração e produção, que as "agregam valor para a Petrobrás".

"Essa discussão parte da premissa que nós somos uma empresa integrada de óleo e gás, mas que também sabemos que parcerias são absolutamente fundamentais para agregar valor à empresa", disse Parente.

"Não estamos fazendo uma proposta fechada, é um modelo que não está aprovado pela diretoria-executiva e nem pelo Conselho de Administração", informou Parente, ressaltando que a proposta ainda está aberta ao debate e o evento da FGV funcionaria como uma audiência pública para debater o tema./Márcio Rodrigues e Fabiana Holtz 

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