Rafael Cañas/EFE
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Petrobrás assina acordo com banco chinês para empréstimo de US$ 5 bi

Acordo assinado neste sábado em Pequim é considerado o primeiro passo para a liberação de financiamento; expectativa da estatal é que o dinheiro seja liberado ainda este ano

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2017 | 10h34
Atualizado 03 Setembro 2017 | 05h51

PEQUIM - A Petrobrás aprofundou seu relacionamento com a China por meio de um acordo de cooperação estratégica com o Banco de Desenvolvimento da China (BDC), que é o primeiro passo para a concessão de financiamento de US$ 5 bilhões à companhia. Também será a base para a parceria em investimentos em toda a cadeia de petróleo e gás e a eventual concessão de crédito a empresas chinesas interessadas na compra de ativos da estatal.

A empresa negocia outra linha de US$ 1 bilhão com o Eximbank chinês. A expectativa é que os financiamentos sejam liberados ainda neste ano, disse a nova representante-chefe da PetrobrÁs na China, Tatiana Rosito. Ex-secretaria-executiva da Camex, ela trabalhou como diplomata no país asiático por cinco anos.

O empréstimo de US$ 5 bilhões faz parte de memorando de intenções assinado pelas duas partes em 2015, no valor total de US$ 10 bilhões. Metade dos recursos foi liberada no ano passado. Agora, a Petrobrás e o BRC negociam as condições para concessão do valor restante. Entre as questões em aberto está a forma de pagamento do financiamento. Segundo Rosito, não está decidido se ele será feito por meio da entrega de petróleo.

A obtenção de novos recursos faz parte do esforço da estatal de alongar o perfil de sua dívida e fazer captações em condições mais favoráveis.

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A China é o maior destino das exportações de petróleo do Brasil e recebe metade dos embarques totais, que oscilam de 400 mil a 500 mil barris/dia. A representação da Petrobrás na China foi aberta em 2004 e sua principal função era a comercialização de petróleo. A missão mudou em 2015, quando o foco passou a ser finanças. A comercialização ficou a cargo do escritório de Cingapura.

Rosito avalia que a relação da Petrobrás com a China passou por três fases distintas. A primeira foi marcada pela linha de crédito de US$ 10 bilhões concedida pelo BDC à companhia. Todos os recursos foram liberados e a Petrobrás paga o financiamento por meio da exportação de petróleo. O passo seguinte foi a criação de um consórcio com presença de companhias chinesas para explorar o campo de Libra, no pré-sal, que deve começar a produção comercial em outubro. A terceira etapa é a atual, na qual há o início de uma cooperação mais abrangente.

Investimentos. No sábado, 2, Temer encerrou um seminário que teve participação de cerca de 300 representantes de empresas chinesas e brasileiras. “O Brasil está de volta, aguardando os empresários chineses”, afirmou o presidente, que colocou a atração de investimentos no centro de sua visita.

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Temer embarca na manhã de domingo, 3, para Xiamen, onde será realizada a cúpula dos Brics. O encontro terá a participação de Xi, Temer, Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Jacob Zuma (África do Sul). Também estarão presentes os líderes de cinco países convidados pela China: México, Egito, Quênia, Tajiquistão e Tailândia. Em Xiamen, Temer terá outra oportunidade de vender o Brasil, quando falar a representantes de quase 1.000 empresas globais que ser reunirão paralelamente à cúpula.

“O Brasil está de volta aguardando os empresários chineses”

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