Petrobrás assina acordo para desenvolver álcool de celulose

Tecnologia permitirá que País dobre produção sem elevar área plantada

Copenhague, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

Um acordo entre a Petrobrás, a empresa produtora de enzimas industriais Novozymes e a Universidade Tecnológica da Dinamarca (DTU, em dinamarquês) para cooperação no desenvolvimento de etanol de segunda geração - feita com sobras de colheitas - deverá ser um dos pontos centrais da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Países Nórdicos, iniciada hoje.Ainda em fase de desenvolvimento, a tecnologia permitirá que o País dobre a produção de álcool sem plantar mais um metro de cana-de-açúcar. O protocolo, que vem sendo negociado há algumas semanas, deverá ser assinado pelos três parceiros e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), na quinta-feira, durante a visita presidencial a Copenhague, e prevê cooperação para tentar acelerar o processo. Até a última sexta-feira, no entanto, os detalhes do acordo ainda não haviam sido divulgados pelo governo brasileiro. Hoje, os envolvidos no desenvolvimento da tecnologia calculam que serão necessários ainda mais quatro ou cinco anos para que a produção do etanol de segunda geração chegue ao ponto de ser viável economicamente."Mas estamos completamente confiantes de que isso vai acontecer. E, quando acontecer, o Brasil poderá mais que dobrar a produção", afirmou ao Estado o presidente da Novozymess mundial, Steen Riisgard. "É muito provável que o Brasil seja o primeiro lugar do mundo onde o etanol de segunda geração seja produzido." Ao contrário da atual produção, o etanol de segunda geração é produzido a partir dos restos da produção, como palha de milho e arroz, cascas de café ou, no caso do Brasil, o bagaço da cana. O investimento tem dois pontos fortes: reaproveita as sobras e, por ser feito de restos, não necessita de plantações específicas para a produção - o que acabaria com o argumento de que se deixaria de plantar comida para fazer combustível.O processo industrial para produção desse tipo de etanol já foi criado e testado pela DUT. Mas necessita de enzimas industriais específicas para quebrar a estrutura da planta e liberar os diversos tipos de celulose, que aí são transformados nos açúcares e no álcool. As existentes hoje, fabricadas pela Novozymess, não são eficientes o bastante para o processo valer a pena economicamente. "Precisamos aumentar a eficiência e reduzir o custo. Ainda precisamos dividir por seis esse custo", explica Riisgard. "Hoje o custo de um galão de etanol é de US$ 1,20. Precisamos chegar a 0,20".O interesse da empresa no Brasil é justamente pelo etanol brasileiro vir da cana. "Testamos diversos tipos de sobras, incluindo madeira de eucalipto. Tivemos sucesso em todos, mas a cana é a mais fácil de trabalhar", explica Troels Hilstrom, um dos engenheiros do projeto de bioetanol da DTU. O Brasil produz hoje cerca de 200 milhões de toneladas de bagaço por ano. A maioria é transformada em biomassa para produção de energia elétrica. A previsão de Riisgard é que as usinas brasileiras poderiam preparar o etanol normalmente, produzir mais usando o bagaço da cana e ainda usar o resíduo para gerar energia elétrica.

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