Lista de empresas bloqueadas foi elaborada com base nos depoimentos de envolvidos na Lava Jato
Lista de empresas bloqueadas foi elaborada com base nos depoimentos de envolvidos na Lava Jato

Petrobrás bloqueia empresas por cartel

Vinte e três grupos que estão em lista feita pela estatal com base nos depoimentos da Lava Jato não poderão participar de licitações e contratos

FÁTIMA LARANJEIRA, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2014 | 02h01

A Petrobrás anunciou ontem que vai bloquear o acesso de 23 empresas às suas licitações e contratos, por fazerem parte de um suposto cartel que agia contra os interesses da petroleira.

A lista, que inclui grupos como Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão, segundo a Petrobrás, foi elaborada com base nos depoimentos de envolvidos na operação Lava Jato: o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef, Julio Gerin de Almeida Camargo, do Grupo Toyo, e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, do grupo Setal.

Após a reunião de sua diretoria executiva, realizada ontem, a Petrobrás também informou que os escritórios de advocacia Trench, Rossi e Watanabe Advogados e Gibson, Dunn & Crutcher, contratados pela estatal para investigações independentes relacionadas às denúncias da operação Lava Jato, identificaram possível existência de relação entre os fatos que estão sendo apurados na empresa com a Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros, o fundo de pensão dos empregados da estatal).

"Sendo assim, as investigações pelos escritórios independentes foram estendidas à Petros, conforme aprovado pelo Conselho Deliberativo da Fundação", informou a empresa, em comunicado ao mercado.

A companhia também informou que divulgará, em janeiro de 2015, as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014, sem o relatório de revisão do seu auditor externo PricewaterhouseCoopers (PwC). "Com esse prazo, a companhia estará atendendo suas obrigações dentro do tempo estabelecido pelos seus contratos financeiros, considerados os períodos de tolerância contratuais aplicáveis, e de modo a evitar o vencimento antecipado da dívida pelos credores", diz o comunicado. A empresa afirmou que está empenhada em divulgar as demonstrações contábeis do terceiro trimestre revisadas "assim que possível".

Em relação a 2015, a empresa informou que está revisando seu planejamento, implementando uma "série de ações voltadas para a preservação do caixa", de forma a viabilizar seus investimentos sem a necessidade de efetuar novas captações. Nesse planejamento, a empresa está levando em conta um dólar cotado a R$ 2,60 (ontem, a moeda americana fechou cotada a R$ 2,70) e um preço médio do barril de petróleo de US$ 70 (ontem, estava em US$ 57,88).

Danos. No caso do bloqueio cautelar das 23 empresas às suas licitações, a Petrobrás disse ter aprovado a constituição de Comissões para Análise de Aplicação de Sanção (Caase). "A adoção de medidas cautelares, em caráter preventivo, pela Petrobrás tem por finalidade resguardar a companhia e suas parceiras de danos de difícil reparação financeira e de prejuízos à sua imagem", disse a estatal. Segundo o comunicado, as empresas participantes do suposto cartel serão notificadas do bloqueio e será respeitado "o direito ao contraditório e à ampla defesa".

De acordo com a empresa, a constituição das Caases e o bloqueio cautelar levam em consideração, além dos depoimentos de Costa, Youssef e dos executivos da Toyo e da Setal, a fase 7 da Operação Lava Jato e o recebimento pelo Poder Judiciário, entre 12 e 16 de dezembro, das denúncias feitas pelo Ministério Público Federal (ações penais) por crimes em desfavor da Petrobrás decorrentes das investigações.

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