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Petrobrás busca plano alternativo

Sem ter como prever valores do dólar e do petróleo, estatal vai divulgar um plano B para os investimentos

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

09 de dezembro de 2008 | 00h00

A Petrobrás trabalha com um plano B para a divulgação de seu programa de investimentos, previsto para o dia 19, quando ocorre a última reunião do conselho de administração este ano. Sem ter como fechar projeções de curto prazo para os dois principais pré-requisitos de investimento - câmbio e preço do barril de petróleo - a estatal deve apresentar um plano resumido de investimentos. Normalmente detalhado, com investimentos ano a ano para um período de cinco anos, dessa vez o plano será mais genérico, principalmente quanto aos investimentos de 2009, dizem fontes da estatal e do governo federal. Este ano, a companhia já investiu US$ 35 bilhões até o terceiro trimestre e deve chegar a US$ 50 bilhões, com os investimentos neste último período. A probabilidade maior é que esse valor se repita no ano que vem, podendo haver um acréscimo de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões por causa, entre outras medidas, da antecipação de produção em alguns campos. O plano B deve trazer, por exemplo, a antecipação dos planos de desenvolvimento para a área do pré-sal no Parque das Baleias, na Bacia de Campos. A produção na região será acelerada para elevar o caixa da estatal a partir de 2012 e com isso reforçar os recursos no desenvolvimento do pré-sal na região de Santos, por exemplo. O Parque das Baleias, no litoral do Espírito Santo, já tem infra-estrutura instalada e está mais próximo do litoral do que as descobertas de Santos, o que facilita o transporte da produção. Além disso, a camada de sal tem 200 metros de profundidade. Em Santos, o bloco de sal se estende por 2 quilômetros. A excelente vazão obtida no único poço furado sob a camada de sal no campo de Jubarte, uma das "baleias" de Campos - cerca de 16 mil barris por dia -, fez a estatal colocar em pauta a instalação de quatro plataformas para entrar em operação entre 2012 e 2013, cada uma com capacidade para 100 mil a 120 mil barris por dia. A idéia é disponibilizá-las entre Jubarte, Cachalote, Baleia Azul e Baleia Franca, onde a estatal já confirmou 4 bilhões de barris - semelhante ao de Iara, bloco próximo a Tupi. A contratação dessas plataformas poderia ser feita via afretamento para acelerar o processo, além de terceirizar a captação do recurso para a construção da obra. Segundo uma fonte do governo, "não há condições" de a Petrobrás divulgar seu plano de investimentos para cinco anos a partir de 2009 e muito menos fazer a revisão do seu planejamento estratégico para o período até 2020. "Qual preço para o barril do petróleo deve ser considerado? Qual taxa de câmbio? Você sabe? Eu não!", disse, fazendo coro com outra fonte da estatal, que costuma afirmar que a oscilação do câmbio e do preço do barril impede a estatal de planejar no longo prazo. No caso do barril do petróleo - que foi a US$ 150 em julho e caiu a níveis em torno de US$ 40 na semana passada - a situação é "extremamente crítica", diz a fonte. "Mesmo considerando que os nossos investimentos se pagam com um petróleo a US$ 35 ou até menos, como financiar novos investimentos e como precificar alguns novos projetos?", indagou. Segundo essa mesma fonte, foi uma "aberração" a denúncia do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre a dificuldade de caixa da empresa. "Não se faz isso com a maior empresa do país em nenhum lugar do mundo." Segundo a fonte, a denúncia do senador criou "dificuldades nas negociações lá fora porque havia suspeita sobre as condições da empresa".

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