Petrobrás busca saída para investir sem afetar balanço

Uma das propostas em estudo na companhia seria criar uma empresa nos moldes da Sete Brasil, que ficaria com novos ativos e os alugaria à estatal

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 02h06

Além da mudança contábil anunciada esta semana, que aliviará perdas no balanço decorrentes da alta do dólar, a Petrobrás estuda duas saídas para resolver problemas de caixa, desta vez com operações off-balance (fora do balanço).

A estratégia não seria imediata, depende de entraves contábeis e de vencer resistências dentro da área de exploração e produção da companhia. Mas conta, segundo fontes, com a simpatia da presidente da empresa, Graça Foster, e da diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard.

Uma das propostas é ampliar a Sete Brasil ou criar uma empresa espelho dela - uma companhia nos mesmos moldes para deter ativos novos com o objetivo de alugá-los à Petrobrás. A proposta foi apelidada jocosamente de "Oito Brasil".

Outra medida seria criar uma empresa para a qual a Petrobrás venderia algumas plataformas que já existem, de sua propriedade, embolsaria o dinheiro e passaria a alugar as mesmas embarcações. As duas propostas seriam off-balance, ou seja, tirariam pesos do balanço da Petrobrás, aliviando os limites de endividamento e dando mais fôlego para investimentos.

Graça Foster já externou a interlocutores seu apoio a soluções off-balance nos moldes da Sete, embora não para este ano. A área de exploração & produção prefere ter ativos próprios.

A diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, é defensora de saídas off-balance. "A experiência passada mostra que a Petrobrás consegue soluções criativas, com operações off-balance, para driblar dificuldades", disse, em entrevista ao Broadcast em marco.

Uma fonte graduada envolvida nas negociações estima que a venda de seis FPSOs (plataformas flutuantes) renderia de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões à Petrobrás. Um dos impedimentos para esta solução está nas novas regras contábeis internacionais (IFRS), adotadas no Brasil há três anos.

As normas impedem que uma empresa venda uma plataforma e alugue o mesmo equipamento por período indeterminado, o que seria apenas uma maquiagem financeira. Deveria haver um limite para o aluguel, de forma que a plataforma pudesse ser oferecida a outra empresa. Mas a fonte diz que uma empresa nos moldes da Sete Brasil solucionaria esse impasse

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