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Petrobrás busca sócios para a Petroquímica Suape, em Pernambuco

Estatal quer voltar a ser minoritária no projeto, depois de ter de assumir a totalidade da obra com a desistência dos parceiros

Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / IPOJUCA (PE)

A Petrobrás está buscando sócios para a Petroquímica Suape, em Pernambuco, que começará a operar a primeira fase no segundo semestre deste ano. A unidade está instalada ao lado da refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca.

Segundo o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, a ideia é receber propostas que "valorizem os investimentos de R$ 5 bilhões feitos pela companhia". "Estamos negociando com vários interessados, entre nacionais e estrangeiros, tanto da área têxtil quanto da área petroquímica", disse.

Costa admite que a companhia tem intenção de voltar a ser sócia minoritária do projeto. Inicialmente, a principal sócia da Petroquímica Suape era a Vicunha, que detinha 60% do capital acionário, mas desistiu do negócio em setembro de 2008, no auge da crise econômica mundial. Outros sócios minoritários seguiram o mesmo caminho e a Petrobrás, que detinha 20% da companhia, acabou assumindo a totalidade da obra.

"Não dava para deixar um empreendimento deste porte parar", disse o diretor. A indiana Reliance, da área têxtil, seria uma das interessadas, segundo fontes do mercado. Outra sócia tida como certa para o empreendimento é a Braskem, já que a opção de aquisição da participação pela companhia está em acordos firmados entre ambas anteriormente.

A Petroquímica representará cerca de US$ 1 bilhão em economia de divisas na balança comercial, pelo volume que deixará de ser importado, não só de PTA (ácido tereftálico purificado), como também poderá contribuir para o atendimento da demanda crescente de resina PET no mercado doméstico.

No total, a Petroquímica Suape reúne três unidades industriais integradas: uma para produção de PTA, outra para produzir polímeros e filamentos de poliéster (antiga Citepe) e uma terceira, que fabricará resina para embalagem PET. A parte de filamentos, que eventualmente interessaria à Reliance, também deve começar a operar ainda em 2011. Já a parte de PET está prevista para 2012.

Refinaria. Com dois anos de atraso e custando quatro vezes o seu valor original, as obras da Refinaria Abreu e Lima, a primeira a ser construída pela Petrobrás depois de um intervalo de quase 30 anos, avançam em Pernambuco. Mas, ainda sem definição sobre a participação da petroleira venezuelana PDVSA em seu capital acionário.

Do total de R$ 26 bilhões que vai custar a refinaria, a Petrobrás já aportou R$ 7 bilhões no negócio, que está com 35% das obras concluídas. A maior parte deste valor veio de financiamento de R$ 10 bilhões feito pela Petrobrás com o BNDES. Quando começou a ser avaliada, em 2005, o orçamento da obra era de US$ 4 bilhões.

"Em agosto teremos de colocar dinheiro próprio no negócio e não seria correto fazer aportes para outra empresa. Se a PDVSA não se manifestar até lá, entenderemos que ela desistiu do negócio", repetiu ontem o diretor de Abastecimento e Refino da estatal, Paulo Roberto Costa.

Em agosto, segundo o diretor, acabam os recursos já disponíveis e a estatal terá de financiar o projeto com outras fontes e também com caixa próprio. O acordo original com a estatal venezuelana previa parceria com a Petrobrás em 14 projetos, entre eles uma fatia de 40% no campo de petróleo venezuelano de Carabobo para a estatal brasileira.

"Não dá para avaliar os prós e contras dessa parceria hoje. Vivemos um novo cenário e, naquela época, ainda sem descobertas do pré-sal, obter participação em um campo lá fora era bastante promissor para a Petrobrás", avaliou o diretor, que visitou ontem as instalações da refinaria, no município de Ipojuca, a 70 quilômetros ao sul do de Recife.

Caso a PDVSA decida prosseguir no projeto, terá de ser adquirido um equipamento especial para processar o petróleo venezuelano, que representaria, pelo acordo, metade dos 230 mil barris diários da refinaria. A outra metade será da Bacia de Campos. Por ser de um tipo mais pesado do que o brasileiro, o petróleo venezuelano exige uma fase a mais de processamento.

"Se a PDVSA não for participar do negócio, poderemos processar apenas carga nacional, reduzindo o custo", disse o executivo.

Investidores

PAULO ROBERTO COSTA

DIRETOR DE ABASTECIMENTO DA PETROBRÁS

"Estamos negociando com vários interessados, entre nacionais e estrangeiros, tanto da área têxtil quanto da área petroquímica."

"Em agosto teremos de colocar dinheiro próprio no negócio e não seria correto fazer aportes para outra empresa. Se a PDVSA não se manifestar até lá, entenderemos que ela desistiu."

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