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Petrobrás busca sócios para fábricas

Estatal negocia parcerias para unidades de produção de fertilizantes e de amônia

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 21h35

RIO - A Petrobrás busca sócios para assumir investimentos em duas fábricas que foram adiadas no seu plano de negócios. Na lista de ativos que dependem de parcerias estão a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), e a UFN V, voltada para a fabricação de amônia, em Uberaba (MG).

Os dois projetos estão com as obras suspensas e estão sendo negociados com investidores estrangeiros, segundo fontes próximas à negociação. Investidores chineses já teriam demonstrado interesse nos projetos, assim como na conclusão do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). O governo prevê concluir as obras do Comperj até 2022. 

A Petrobrás confirmou a retirada dos três projetos de seu portfólio no horizonte de 2019, na divulgação de seu plano de negócio. 

Além do Comperj, as obras das demais unidades foram contratadas com empresas investigadas na Operação Lava Jato. Quatro das empresas responsáveis pelos contratos estão suspensas de novos negócios com a estatal. 

Contrato rompido. As obras da UFN-III, em Três Lagoas, foram suspensas em dezembro, quando a estatal rompeu o contrato com o consórcio formado pelas empresas Sinopec e Galvão Engenharia, esta na lista de empresas suspeitas de integrar o cartel investigado na Operação Lava Jato.

Com 80% de avanço físico, a paralisação foi justificada por descumprimento das cláusulas contratuais. O projeto, destinado à produção de ureia e amônia, foi orçado em R$ 4 bilhões.

Reestruturação. Em nota, a Petrobrás confirmou que busca a conclusão da unidade com “uma reestruturação do negócio que não onere a companhia”. A estatal avalia que “o mercado nacional de fertilizantes apresentou um recuo na demanda por amônia”, também principal produto que seria fabricado na UFN-V, de Uberaba. A unidade, com 30% de avanço nas obras, entrou em “hibernação”.

“A Petrobrás entende que, atualmente, o investimento na construção desse projeto, com base na relação custo-benefício, não se mostra adequado em comparação a outros negócios da companhia”, informou, em nota. A empresa também atribui a suspensão do projeto a divergências contratuais com a Gasmig, distribuidora de gás natural controlada pelo governo mineiro, responsável pela construção de um gasoduto para abastecer a unidade.

A unidade mineira integra o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e tinha conclusão prevista para 2017, com orçamento de R$ 2,09 bilhões. A obra foi contratada com as empresas Toyo e Setal Óleo e Gás, também investigadas pela Operação Lava Jato. 

A presidente Dilma Rousseff e a ex-presidente da estatal, Graça Foster, participaram do lançamento da pedra fundamental do projeto, descrito por Graça como um modelo para futuras licitações da Petrobrás.

Petroquímica. No caso do Comperj, o governo trabalha com o prazo de 2022 para a conclusão de todo o complexo.

O tema foi novamente discutida pelo conselho de administração, no último encontro. A diretoria reforçou que só concluirá a obra com sócios, e que já haveria dois grupos interessados - com investidores chineses e europeus.

Mas uma definição só deve ocorrer no próximo ano. Uma das opções em análise é que a parceria tenha contrapartida com oferta de óleo. O acordo seria benéfico a investidores chineses, que já firmaram contrato semelhante com a estatal no passado recente. 

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