Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Petrobrás cai ao menor valor desde 2004 e cortará mais investimentos

Para reduzir custos e enfrentar um cenário ainda mais complicado após a perda do grau de investimento pela S&P, estatal prepara um corte no quadro de funcionários terceirizados de suas subsidiárias

Antonio Pita,Fernanda Nunes,Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2015 | 21h52

Um dia após ser rebaixada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s e perder o grau de investimento, a Petrobrás amargou uma forte queda no valor das ações. Sua cotação atingiu o menor nível desde novembro de 2004. Com a perda do selo de boa pagadora, a empresa terá de pagar juros mais altos. O novo aperto financeiro levará a estatal a revisar seu plano de negócios e reduzir ainda mais seus investimentos.

Para cortar custos e garantir a viabilidade de seus projetos, a estatal pretende começar em outubro um pesado corte no quadro de funcionários terceirizados das suas empresas subsidiárias.

A revisão do plano de negócios é estudada há pelo menos duas semanas, como antecipou o Estado. Técnicos da estatal preparam estudo sobre “cenários de estresse” nos indicadores financeiros para apresentar ao conselho de administração, no dia 30. O colegiado vai avaliar a necessidade de ajustes na estratégia da companhia diante do cenário nebuloso, com pressão cambial, dificuldade de vender ativos e, agora, o novo rebaixamento da nota de crédito.

Nesta sexta-feira, as ações ordinárias caíram 5,37% e as preferenciais, 3,89%. Em Nova York, as ADRs da estatal recuaram ao menor nível em 13 anos.

Custo da dívida. A principal consequência da perda do grau de investimento é o encarecimento do crédito à empresa, que pesa sobre o alto endividamento da estatal.

O HSBC projeta que o custo da dívida pode subir em até 2 pontos porcentuais com a perda da nota de crédito. Já o banco Credit Suisse projeta uma queda de 10% na receita operacional da empresa.

“Os preços do petróleo em queda, o rebaixamento do Brasil e da Petrobrás, além de um real desvalorizado, tornam a execução desses desafios ainda mais difícil”, destaca relatório do Credit Suisse.

Apresentado em junho, o plano de negócios da estatal previa corte de 41% nos investimentos, mas algumas premissas estão desatualizadas. Para o dólar, o plano previa cotação a R$ 3,10 – a moeda fechou em R$ 3,87 nesta sexta. A negociação do petróleo Brent no mercado internacional fechou em queda, abaixo dos US$ 50, ante uma previsão de US$ 60. Agora, o plano será revisado.

Cortes de terceirizados. Enquanto não há definição sobre o novo valor dos investimentos, a Petrobrás prepara a demissão de funcionários terceirizados em áreas administrativas.

A previsão é que sejam feitos cortes “pesados” em subsidiárias como BR Distribuidora, Transpetro, Petrobrás Biocombustíveis, Gaspetro e Liquigás. A prioridade são empresas na lista de desinvestimentos, em projetos cancelados e em setores considerados “inchados”.

A estimativa da estatal é cortar até US$ 12 bilhões em “gastos gerenciáveis” até 2019. Mesmo com as opções em estudo, segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, a empresa em algum momento terá de recorrer a um aumento de capital – alternativa descartada pela empresa e pelo governo. Pelos cálculos do economista, para reduzir a alavancagem (endividamento), seria necessária uma operação de aproximadamente R$ 100 bilhões. “Quanto mais o tempo passa, mais a situação piora. Nada indica que o petróleo vai parar de cair e o dólar de subir.”

Até junho, a estatal registrou endividamento líquido de R$ 329 bilhões – 73% em moeda estrangeira. A depreciação cambial das últimas três semanas elevou em cerca de R$ 100 bilhões a conta. Essa variação jogou por terra o cronograma de redução da relação entre dívida e geração de caixa (alavancagem), hoje no patamar de 4,64 vezes, ante uma meta de 3,33.

Mais conteúdo sobre:
BrasilTranspetroGaspetro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.