Petrobrás cai após anúncio de compra da Pecom

A compra da argentina Perez Companc (Pecom) pela Petrobrás provocou reações adversas no mercado, um dia após o anuncio da aquisição. Embora analistas brasileiros recomendassem a compra de papéis da estatal, as ações negociadas em bolsa registraram queda. Em São Paulo, o papel preferencial da empresa caiu 2,44%, ante uma baixa de 1,49% no índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A agência classificadora de risco Fitch colocou o rating da empresa em avaliação, ou seja, poderá melhorar ou piorar dependendo dos resultados das negociações para a aquisição. Para especialistas, a queda das ações tem menos a ver com a operação em si, considerada boa oportunidade de expansão internacional, do que com a aversão a risco entre investidores estrangeiros. "O mercado não está vendo os fundamentos", avaliou o analista de petróleo da Fator Dória Atherino, Luiz Paulo Foggetti, que recomenda a compra de ações da Petrobrás. "Esses analistas não pensam em estratégia, só vêem balanços. E mal, pelo caso WorldCom", comentou o consultor David Zylbersztajn, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Fator Dória enviou ontem aos clientes uma análise da operação, na qual conclui que a compra da Perez Companc faz sentido do ponto de vista estratégico. "Operacionalmente a transação gerará economias de escala e ganhos com sinergias em praticamente toda a cadeia petroquímica", diz o texto. Zylbesztajn concorda: "Foi uma bela jogada da Petrobrás. Se ela não comprasse, outra compraria, e uma excelente oportunidade de negócio seria perdida." Outro analista de banco, porém, disse ter ouvido críticas de clientes. "Se a empresa quer gerar caixa em dólar e tornar-se investment grade, a Argentina não é a melhor opção", disse. Segundo ele, há um risco regulatório na operação. É impossível prever o que o governo argentino fará com o setor, o maior gerador dos dólares para o País. Tanto que, há alguns meses, lembra, as operações no mercado de petróleo foram sobretaxadas. DúvidasHá uma dúvida no mercado sobre o futuro dos ativos petroquímicos adquiridos na operação. Depois de 10 anos, a Petrobrás volta a ter forte participação na segunda geração da cadeia petroquímica, com a produção de insumos para a fabricação de plásticos. A empresa havia esvaziado o braço petroquímico, que deixou de ser subsidiária para virar uma área subordinada à diretoria de abastecimento. Concretizada a operação, a Petrobrás passa a ter 32% do mercado brasileiro de poliestireno. Um executivo do setor acredita que a estatal venderá as empresas petroquímicas assim que a situação argentina permitir. Arrisca até um interessado: a alemã Basf.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 09h06

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