Gage Skidmore
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Petrobrás cancela palestra de economista que não considera o governo Bolsonaro liberal

Em entrevista ao 'Estado', Deirdre McCloskey disse que, no Brasil, liberalismo é confundido com violência e visão reacionária

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 21h28

RIO - A Petrobrás cancelou uma palestra que seria ministrada nesta segunda-feira, 27, pela economista americana Deirdre McCloskey. Ela disse, em entrevista publicada pelo Estado no último domingo, que o governo Bolsonaro “é qualquer coisa, menos liberal”

A economista é defensora do liberalismo como único modelo econômico capaz de eliminar a pobreza. A palestra seria para a diretoria e funcionários da Petrobrás.

Deirdre defende que o liberalismo não convive com hierarquias, como de “homem sobre mulher, heterossexuais sobre gays ou Estado sobre indivíduos”. “Um ministro da Economia não faz tudo funcionar, é preciso ter outras políticas por trás. (...) Bolsonaro pode ser capturado pelos interesses, especialmente dos mais ricos”, acrescentou.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, integram o grupo batizado por eles mesmos de "Chicago Oldies", uma turma de executivos e especialistas nas áreas de economia e finanças que estudou na escola liberal de Chicago, nos Estados Unidos. Deirdre lecionou em Chicago na mesma época em que Guedes frequentou a universidade americana. 

Para Deirdre, que é transexual, o título de “liberal” ultrapassa a esfera econômica. Em sua opinião, na América Latina, principalmente no Brasil, liberalismo é sinônimo de “reacionário e violento”. Ela ainda diz que no governo Bolsonaro há um “fascismo contra gays”.

A Petrobrás, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que a palestra foi cancelada por conta da agenda da diretoria.

A diretoria e Castello Branco assistiriam a economista americana presencialmente e os funcionários, por um canal interno de televisão. A conversa faz parte do programa "Diálogos do Conhecimento", um ciclo de palestras voltado à "alta administração", segundo a assessoria. Cinco palestras estão agendadas para acontecer até maio. Com exceção dos oradores do setor público, os demais são remunerados, o que já custou R$ 100 mil à estatal. 

Até agora, já falaram aos executivos da Petrobrás dez palestrantes: Nivio Ziviani, Professor de Ciência da Computação da UFMG; Ieda Gomes, da Oxford Energy Studies; Salim Mattar, do Ministério da Economia; Claudio Domênico, da Sociedade Brasileira de Cardiologia; Fernando Veloso, da  Fundação Getúlio Vargas; Evaristo Miranda, da Embrapa; Erik Stern, da Stern Management; Parag Khanna, especialista em Relações Internacionais; José Júlio Senna, da Fundação Getúlio Vargas; e Sérgio Rial, do Santander.

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