Petrobras capta R$ 120 bi, na maior operação do gênero

A Petrobras finalizou ontem sua megacapitalização, que atingiu pouco mais de R$ 120 bilhões (US$ 70 bilhões). É a maior operação do gênero na história, à frente da japonesa Nippon Telegraph (US$ 37 bilhões em 1987) e do Agricultural Bank of China (US$ 22,1 bilhões neste ano).

LEANDRO MODÉ, Agencia Estado

24 de setembro de 2010 | 00h26

A estimativa é de que cerca de R$ 50 bilhões entrem no caixa da estatal como "dinheiro novo", já que o restante foi aportado pela União na chamada cessão onerosa (composta por 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal).

Na manhã de hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará de cerimônia na BM&FBovespa para celebrar a operação. Ontem, em Maringá, antes mesmo da divulgação oficial dos valores, ele já havia dito que a capitalização alcançara US$ 70 bilhões.

O Estado apurou que a demanda pelas ações superou em cerca de duas vezes a oferta. É um desempenho considerado positivo, levando-se em conta o tamanho da operação. No entanto, os fundos soberanos, principalmente da Ásia, tiveram interesse menor do que o estimado. Essa "fraqueza" teria sido compensada pelo apetite voraz dos investidores de varejo e do governo.

Apesar da demanda forte, o Conselho de Administração da estatal decidiu dar um desconto no preço das ações. Os papéis preferenciais (PN) saíram a R$ 26,30 (1,8% abaixo da cotação de ontem). Os ordinários (ON) foram cotados a R$ 29,65 (2% abaixo do valor de mercado).

Ontem, aliás, diferentemente do que se esperava, as ações da estatal tiveram expressiva valorização na Bovespa. As PNs subiram 4,12% e as ONs, 2,76%. Segundo analistas, é mais uma prova da demanda aquecida.

Um especialista explicou que, numa operação "normal", quando a oferta supera a demanda, a empresa não dá desconto. No caso da Petrobras, no entanto, esperava-se o desconto para aumentar a possibilidade de valorização do papel hoje, quando Lula estiver na Bovespa.

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