Marcos de Paula/AE-1/3/2010
Marcos de Paula/AE-1/3/2010

Petrobrás capta US$ 6 bi com bônus

Na primeira operação do tipo feita pela estatal brasileira este ano, emissões de papéis foram feitas com vencimentos de 5, 10 e 30 anos

Nicola Pamplona, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

A Petrobrás anunciou ontem a captação de US$ 6 bilhões no mercado internacional, por meio da emissão de três tipos de bônus, com vencimentos em 5, 10 e 30 anos. Foi a primeira operação do tipo feita pela estatal em 2011, ano no qual pretende buscar no mercado entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões, para financiar seu plano de investimentos.

Coordenada pelos bancos BTG Pactual, Citigroup, HSBC, Itaú BBA, JPMorgan e Santander, a emissão de bônus pela estatal foi a terceira operação anunciada ontem por empresas brasileiras. Mais cedo, durante o dia, Energisa e Safra já haviam comunicado ao mercado captações de US$ 200 milhões e US$ 500 milhões, respectivamente.

Levantamento feito pela Agência Estado mostra que outras quatro empresas do País fecharam operações este ano - Bradesco, Cruzeiro do Sul, Banco do Brasil e BR Malls -, obtendo o equivalente a US$ 1,9 bilhão, ao câmbio de ontem (uma das operações foi fechada em euros no início do ano).

A operação da Petrobrás foi dividida em três etapas. A primeira, de US$ 2,5 bilhões em bônus de cinco anos, garante ao comprador uma taxa de retorno de 3,95%; a segunda, de mesmo valor, mas com prazo de dez anos, tem taxa de retorno de 5,401%; e os papéis mais longos, de 30 anos, dão retorno de 6,806%. Os spreads ficaram entre 190 a 220 pontos-base acima dos títulos do Tesouro americano, mais baixos que captações recentes de empresas brasileiras.

Segundo a Petrobrás, a operação será concluída em 27 de janeiro. Os bônus receberam a classificação de risco BBB da agência Fitch. Segundo a companhia, os recursos captados serão utilizados para o financiamento dos investimentos previstos no Plano de Negócios 2010-2014, orçado em US$ 224 bilhões.

Em nota oficial, a empresa disse que mantém, após a operação, "a estrutura adequada de capital e o grau de alavancagem financeira (relação entre dívida e patrimônio) em linha com as metas da companhia". Até o processo de capitalização concluído em setembro do ano passado a estatal estava em seu limite de alavancagem, impedida de fazer novas captações.

Meta. Em entrevista concedida no fim do ano passado, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, informou que a meta de captações para este ano gira em torno de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões, volume equivalente ao captado em 2010. O plano de investimentos prevê captações de US$ 60 bilhões até 2014. O plano, porém, é revisto anualmente e pode vir com valores maiores na versão de 2011.

Isso porque o plano atual não prevê os investimentos na exploração dos 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal comprados pela companhia no processo de capitalização, em uma operação denominada "cessão onerosa". São reservas no entorno do polo do pré-sal na Bacia de Santos, onde está o campo de Lula (ex-Tupi), que devem ser avaliadas até meados da década, com a perfuração de uma série de poços exploratórios.

Segundo o comunicado distribuído pela Petrobrás na noite de ontem, os bancos Credit Agricole Securities e Mitsubishi, ambos dos Estados Unidos, colaboraram na emissão dos bônus. Os papéis garantem ao investidor rendimentos entre 3,95% (taxa referente aos bônus de cinco anos) e 6,806% (para os bônus de 30 anos).

PARA LEMBRAR

Pré-sal já tinha garantido aporte recorde

Em setembro do ano passado, a Petrobrás concluiu o maior processo de capitalização da história mundial, ao captar R$ 120 bilhões com a emissão de 4 bilhões de novas ações. A operação, comemorada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva teve como objetivo garantir à empresa estrutura de capital compatível com os pesados investimentos projetados para o pré-sal.

Além de garantir a entrada de recursos com a venda de ações a minoritários, a capitalização aliviou a estrutura financeira da companhia, que estava no seu limite de alavancagem (relação entre dívida e patrimônio). Após a operação, portanto, a empresa ganhou segurança para buscar novos recursos no mercado internacional sem comprometer sua classificação de risco.

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