Agência Petrobrás
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Petrobrás chama a atenção das agências de risco

Problemas enfrentados pela estatal com plano de venda de ativos são o foco de preocupação

Karin Sato, Mariana Durão, Fátima Laranjeira, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2017 | 05h00

SÃO PAULO e RIO - As agências de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) e Fitch Ratings demonstram preocupação com os revezes enfrentados pela Petrobrás para levar à frente seu programa de venda de ativos, uma das principais estratégias da companhia para reduzir o endividamento e recuperar a capacidade financeira. O cenário básico da S&P considera um atraso de pelo menos um ano na execução do plano de desinvestimento da estatal. Já a Fitch afirma que há um “esforço conjunto de forças de oposição para descarrilar o programa”.

Os analistas relacionam o atraso à decisão cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU) que suspendeu em dezembro as vendas de ativos da petroleira, após detectar irregularidades. No fim de 2016, a Petrobrás informou ao mercado que não daria início a novas transações até que o tribunal definisse qual deve ser a estratégia para se desfazer de ativos.

O programa de venda de ativos é visto, ao lado da política de preços – que prevê revisão mensal no preço da gasolina e do óleo diesel – como um dos pilares para a redução da dívida da petroleira, inflada por episódios de corrupção descobertos na Lava Jato. Para a S&P, o grande desafio da estatal será sustentar os avanços na governança e na política de preços quando houver troca de governo, em 2018.

A Fitch também criticou os entraves enfrentados pela companhia ao afirmar que a suspensão pela Justiça da venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) à canadense Brookfield é vista como um “esforço conjunto das forças de oposição para descarrilar” o programa de desinvestimento da estatal. Na avaliação da agência, as disputas aumentam as apostas de que a empresa pode demorar mais para vender os ativos.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL/SE), autor de sete pedidos de liminar contra negociações em curso ou já concluídas pela Petrobrás. Cinco deles foram aceitos. A Justiça de Sergipe já barrou a venda da Petroquímica Suape, dos campos de Baúna e Tartaruga Verde, da Distribuidora BR e de campos terrestres.

Nota. Embora vejam as ações como um problema, ambas agências descartaram rebaixar a nota de crédito da companhia em razão dos atrasos na negociação de subsidiárias e outros ativos. “Os ratings da Fitch incorporaram as possíveis dificuldades e incertezas na execução do plano de desinvestimentos”, disse a agência em relatório. “A empresa pode gerenciar esse atraso”, disse a analista da S&P, Renata Lotfi, em teleconferência.

No dia 10, a S&P elevou o rating da petroleira de B+ para BB-, com perspectiva estável. A Petrobrás se descolou da avaliação do Brasil, que teve sua nota mantida em BB, com perspectiva negativa. Segundo analistas da S&P, se a nota soberana do País for elevada, haverá um efeito positivo para a Petrobrás. Por outro lado, mesmo que o risco do País seja rebaixado, a estatal seguirá com a mesma nota, a três níveis do grau de investimento, selo de bom pagador que facilita o acesso ao mercado internacional. 

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