Petrobrás compra a Gas Brasiliano

Concentração. Com aquisição, em um acordo de US$ 250 milhões, estatal entra na distribuição de gás canalizado no Estado de São Paulo; movimento, porém, gera críticas, uma vez que a empresa já é a única fornecedora do insumo para as distribuidoras no País

Wellington Bahnemann, Nicola Pamplona, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

RIO

A Petrobrás e a italiana Eni anunciaram ontem acordo para a venda, à estatal brasileira, da distribuidora de gás canalizado Gas Brasiliano (GBD), que opera no interior do Estado de São Paulo. A operação, de US$ 250 milhões, marca a estreia da estatal brasileira no mercado paulista de gás, o maior do País. Para a Eni, representa o fim de suas atividades nos segmentos de comercialização de combustíveis no mercado brasileiro.

As negociações foram iniciadas no final do ano passado, quando a Eni contratou o banco Santander para buscar possíveis interessados na GBD. Além da Petrobrás, empresas como a japonesa Mitsui, a Cemig e a Cosan chegaram a visitar o data room aberto pelo banco. "A Petrobrás tem muito interesse no mercado paulista e dificilmente perderia essa disputa", disse uma fonte próxima ao negócio.

De fato, a direção da estatal nunca escondeu o desejo de atuar em São Paulo. O foco principal era a Comgás, a maior do País, que abastece região metropolitana da capital. Os controladores da companhia, BG e Shell, porém, se mantêm insensíveis ao cortejo. A Eni, por sua vez, iniciou uma reestruturação de portfólio após a crise financeira, que culminou com a venda do ativo.

"Esse foi um grande negócio para a Petrobrás, porque enriquece a sua participação no setor de gás. Ainda que a distância entre a Gas Brasiliano e a líder do setor (Comgás) seja grande, a companhia amplia o seu poder de barganha, sobretudo porque cria uma alternativa para escoar o insumo", comentou a professora do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, Virgínia Parente.

Parcerias. A estatal tem hoje participação em 18 distribuidoras de gás canalizado, a maior parte em parceria com governos estaduais e com a japonesa Mitsui. A atuação levanta críticas sobre a grande concentração de mercado nas mãos da companhia, que é também a única supridora do combustível ao mercado brasileiro. O acordo anunciado ontem prevê que a Petrobrás fique com 100% da Gas Brasiliano, a partir da aprovação por órgãos reguladores.

A expectativa do mercado é que a companhia passe a ter uma postura mais agressiva do que quando controlada pela Eni, que já vinha demonstrando desinteresse pelo mercado brasileiro ? a GBD já havia sido posta à venda outra vez, em 2005. A Petrobrás tem grandes excedentes de gás e trabalha para desenvolver um mercado secundário do combustível, com preços mais baixos, que opere enquanto as térmicas estejam desligadas.

"A Petrobrás é muito pressionada pelo modelo do mercado termelétrico de gás, que é o maior consumidor do insumo no País. Uma das maneiras de minimizar isso é deter participações nas distribuidoras, controlando a oferta e a demanda", afirma o professor do Grupo de Economia de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.