Petrobrás compra Araucária da Vale

Negociação pela fábrica de fertilizantes vinha sendo feita desde o início do ano; estatal pagou R$ 234 milhões pelo controle da empresa

MÔNICA CIARELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h08

A Vale e a Petrobrás anunciaram ontem uma troca de ativos no setor de fertilizantes que já vinha sendo negociada desde o início do ano. Pelo acordo, a estatal compra por R$ 234 milhões o controle da Araucária Nitrogenados. O pagamento será feito com a receita do arrendamento para a Vale dos direitos minerários no Sergipe, Estado onde a companhia desenvolve outros dois projetos de fertilizantes: Taquari-Vassouras e Carnalita.

O negócio tem como pano de fundo escolhas feitas pelas duas companhias no segmento de fertilizantes. A Vale decidiu priorizar investimentos em projetos de potássio e fosfato no setor. Já a Petrobrás mira no nitrogênio por ter uma grande produção de gás natural, que tende a aumentar com a entrada em produção dos campos do pré-sal. A reação química entre nitrogênio e gás natural leva à produção de amônia, um composto importante para a produção de fertilizantes. A amônia e derivados, como a ureia, são usados na agricultura como adubos.

O nitrogênio, o fósforo e o potássio são os três nutrientes básicos para a composição de fertilizantes. Atualmente, o Brasil é dependente da importação de todos eles. Nos últimos anos, o governo vem incentivando um aumento da produção da Vale e da Petrobrás para reduzir a dependência externa por fertilizantes.

Em nota, a Vale informou que a Araucária tem capacidade para produzir anualmente cerca de 1,1 milhão de toneladas de ureia e amônia, base para a produção de fertilizantes. A unidade no Paraná vendida à Petrobrás é oriunda da Fosfétil, adquirida pela mineradora em 2010.

Economia. Além da troca de ativos, a Vale informou que a venda de Araucária vai permitir uma redução de investimentos de aproximadamente US$ 50 bilhões na sustentação das operações existentes. "O desinvestimento de ativos como Araucária, que não possuem sinergias com o restante de nosso portfólio, é consistente com os esforços para a melhoria da alocação de capital e geração de recursos para complementar o financiamento de investimentos em projetos considerados prioritários, com elevado potencial de criação de valor", diz a Vale.

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, tem reiterado o interesse em sair de investimentos considerados fora do foco principal da companhia.

Além da necessidade de gerar valor aos acionistas, a mineradora tem pela frente o desafio de desenvolver o megaprojeto de Serra Sul, no Pará, orçado em quase US$ 20 bilhões.

A Petrobrás, por sua vez, informa que a unidade complementa os ativos de fertilizantes da companhia, "possibilitando maior proximidade com os mercados de São Paulo e Paraná, maior disponibilidade de armazenamento e modais de transporte, otimização do mix de produção e potenciais sinergias com a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar)".

Já aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobrás, o negócio ainda está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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