Sergio Moraes/ Reuters
Sergio Moraes/ Reuters

Petrobrás confirma fechamento de fábrica de fertilizante no Paraná

Estatal afirma que unidade dá prejuízo e vai demitir os 369 funcionários, sem contar os cerca de 600 terceirizados; sindicato afirma que acordo coletivo está sendo violado

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2020 | 15h39

A Petrobrás anunciou, nesta terça-feira, 14, que depois de encerradas as tentativas para venda da subsidiária Araucária Nitrogenados S/A (ANSA/Fafen-PR), aprovou o fechamento da fábrica de fertilizantes localizada na cidade de Araucária, no Paraná. Segundo nota, a empresa vem apresentando recorrentes prejuízos desde que foi adquirida em 2013. A informação da paralisação das atividades foi antecipada pelo Estadão/Broadcast.

Segundo a empresa, os resultados da ANSA, historicamente, demonstram a falta de sustentabilidade do negócio. "Somente de janeiro a setembro de 2019, a Araucária gerou um prejuízo de quase R$ 250 milhões. Para o final de 2020, as previsões indicam que o resultado negativo pode superar R$ 400 milhões".

Ainda conforme a empresa, a matéria-prima utilizada na fábrica (resíduo asfáltico) está mais cara do que seus produtos finais (amônia e ureia) e as projeções para o negócio continuam negativas. A Ansa é a única fábrica de fertilizantes do País que opera com esse tipo de matéria-prima.

A estatal destacou que a decisão segue na esteira da estratégia de sair do segmento de fertilizantes e focar em ativos que gerem maior retorno financeiro.

"Foram empenhados todos os esforços para a venda da empresa, cujo processo de desinvestimento iniciou-se há mais de dois anos. As negociações avançaram com a companhia russa Acron Group mas, conforme comunicado ao mercado em 26 de novembro, não houve efetivação da venda", aponta a Petrobrás.

 

Funcionários

A empresa informou que desligará os 396 empregados da fábrica - sem contar os cerca de 600 funcionários terceirizados. Eles receberão, além das verbas de rescisórias, um pacote adicional entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, proporcional à remuneração e ao tempo trabalhado, além de outros benefícios.

A Petrobrás diz que a Ansa se reuniu na manhã desta terça-feira com o sindicato para tratar desse tema.

A estatal informou ainda que a ANSA está em fase final de negociação de convênio para oferecer programas de capacitação e requalificação profissional para as comunidades que ficam no entorno da fábrica, no município de Araucária. "Serão oferecidas 1.000 vagas para moradores destas comunidades", apontou.

Para o diretor do Sindiquímica Paraná, Caio Rocha, a Petrobrás violou o acordo coletivo dos trabalhadores ao anunciar o fechamento da Fafen. Segundo ele, a empresa demitirá todos no prazo de 30 a 90 dias.

"No nosso acordo coletivo, temos uma cláusula que proíbe a demissão em massa antes da negociação com o sindicato e que seja concluído um plano de demissão. O que a empresa apresentou foi unilateral. Ela não está aberta a negociação. Fez um pacote de benefícios sem discussão", afirmou. 

Procurada, a Petrobrás disse que está em discussão com as entidades sindicais.

De acordo com Rocha, o sindicato já antecipou que tal medida seria adotada e marcou uma mesa de mediação no Ministério Público do Trabalho de Curitiba para o próximo dia 20. "Hoje, eles (Fafen e representantes da Petrobrás) afirmaram que estarão presentes na mesa de mediação", disse.

Ainda conforme o sindicalista, o objetivo principal da categoria é tentar uma negociação política para manter a fábrica. A segunda frente é a luta para conseguir realocar os trabalhadores da Fafen do Paraná no grupo Petrobrás, da mesma forma como ocorreu nas plantas de fertilizantes da Bahia e Sergipe, que foram arrendadas no fim do ano passado.

A estatal, entretanto, afirmou que a transferência não pode ser feita. "A Ansa é uma subsidiária da Petrobrás, com autonomia estatutária e personalidade jurídica distintas, patrimônio e gestão próprios, tratando-se, portanto, de empresa distinta e autônoma da Petrobrás. Ou seja, os empregados da ANSA não são empregados da Petrobras", apontou a estatal, em nota ao Estadão/Broadcast.

A unidade do Paraná tem capacidade de produzir 1,9 mil toneladas de ureia por dia - ou 700 mil toneladas por ano. A Fafen da Bahia tem capacidade de produção total de ureia de 1,3 mil toneladas por dia e a sergipana, de 1,8 mil toneladas por dia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.